Psicologia - 10/10/2004
Carência afetiva

Carência afetiva no dicionário Aurélio é "necessidade, precisão."

Todos nós, em maior ou menor grau, sentimos em alguma época da nossa vida, a tal da carência afetiva. Parece que algo está faltando. Sensação de vazio interior, isolamento, como se estivéssemos sozinhos neste mundo. Podemos estar rodeados de amigos, colegas de trabalho e com a família. A sensação pode vir com alguns sintomas depressivos: desânimo, falta de interesse pelas atividades que antes causavam prazer, vontade de se isolar.

Nós, seres humanos, temos uma grande necessidade de proteção e aconchego. Nascemos nus, dependentes e pequenos. Homem (pai), mulher(mãe) são os primeiros seres humanos que nos amam e protegem. No entanto, cada um tem um histórico de vida diferente. Alguns não sentem este amor materno ou paterno. Se a criança não foi desejada, a pessoa pode carregar consigo rejeição e tristeza. E, nem sempre, fica sabendo que foi rejeitada na gravidez. De repente, numa sessão de psicoterapia, numa atividade de relaxamento ou mesmo em técnicas de regressão, a pessoa revive o parto. Entende a razão da sua carência afetiva.

Pais e mães muito repressores que não conseguem demonstrar seus sentimentos de amor, podem despertar nos filhos, carência afetiva. Se é menino pode crescer inseguro e vacilante. Seu relacionamento com as mulheres é sempre superficial. Parece que vê em cada mulher, a mãe autoritária e repressora. Se é uma menina cresce tímida e exigente. Sempre desejando atenção das amigas e procurando nos relacionamentos afetivos, proteção e carinho. Como se visse no homem amado, o pai carinhoso que nunca teve. Está sempre triste e insegura. Ou então, atrai um companheiro exigente e autoritário.

Algumas pessoas sentem muita dificuldade de expressar amor ou vivenciá-lo. São crianças grandes. Exigem muito carinho e nunca estão satisfeitas. Sugam a energia onde passam.

Outras são carentes, porque estão há muito tempo sozinhas. Uma procura febril pelo companheiro(a) que satisfaça esta carência afetiva, pode resultar num desastre. Ávidas por carinho, entregam-se a qualquer pessoa. Sentem-se incompletos. Pensam que a outra pessoa vai acabar com essa carência.

Nascemos sozinhos e morreremos sozinhos. Somos rodeados por pessoas. Vivemos relacionamentos sofridos ou felizes. Temos amigos que compartilham a nossa vida. A família também é uma estrutura de amadurecimento interior em nossas vidas. No entanto, toda experiência que vivenciamos é muito solitária. Convivemos com o nosso ego, nosso eu, todos os dias. Não podemos fugir dos nossos sentimentos mais íntimos. Não somos uma metade que precisa encontrar outra metade. Se pensarmos assim, nunca seremos felizes. A nossa criança interior será sempre triste e sozinha.

Somos pessoas inteiras. Com o auto-conhecimento, você pode encontrar a raiz da sua carência afetiva. Quando se sentir muito sozinho ou carente, preste atenção no outro. Ajudar um amigo em dificuldade, um parente solitário, cuidar de um animalzinho doente, é muito benéfico. Voltar-se para os outros com desprendimento é uma espécie de nutrição da alma. Esquecemos de nossos problemas, quando nos voltamos para o outro. 

Não se preocupe se, em determinados momentos, se sentir sozinho ou carente. Pode ser uma sensação passageira. Nesta fase, fique perto de amigos sinceros, familiares protetores, enfim, não se isole muito. Se a sensação vier com sintomas de depressão, tristeza permanente, procure ajuda profissional.

Quanto mais se auto-conhecer e amadurecer a idéia de que não são os outros que vão lhe completar, mas será um homem ou mulher amorosa e completa. Quanto mais você aceitar as pessoas como são, sem ilusões, não se decepcionará.

Somos frágeis e fortes ao mesmo tempo. Nossa estrutura psíquica fortalecida pela crença que há Alguém muito Superior nos velando, nos enche de segurança e proteção. Nosso Pai Criador, o Mestre Jesus... ou mesmo, nosso Mestre Interior. Deste modo, amando muito, estaremos preparados para receber Amor também!


Sandra Cecília

 

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