Psicologia - 29/05/2004
Seu namorado e seus filhos não se entendem. E agora?

Joana, 42 anos, separada, dois filhos adolescentes, conheceu o namorado Antonio, 46anos, num chat da internet. Durante alguns meses, teclaram muito e se falaram ao telefone. O momento do encontro chegou e dois se apaixonaram. Moravam em cidades próximas. Conclusão: em um ano, estavam morando juntos.

No começo, tudo parecia bem. Depois de algum tempo, José, 16 anos, o filho caçula da Joana, ficou agressivo e malcriado com a mãe. As notas estavam baixas na escola e ela ficou muito preocupada. Sabia que o adolescente não se dava muito bem com Antonio. No entanto, não dava maior importância às discussões. Achou que era somente ciúme e passaria com o tempo. Às vezes, Antonio se queixava do rapaz. Comentava que o José não sabia comer à mesa e falava palavrão, o que ele não tolerava. "Meus filhos não falam palavrão, Joana. Seu filho é mal educado." Ela virava uma onça, quando Antonio criticava seus filhos: "Não começa, Antonio! Você tem é implicância com o garoto!"- retrucava.

As dificuldades de relacionamento entre o rapaz e o enteado pioraram muito. Antonio decidiu. Arrumou suas coisas e voltou a morar sozinho. Gostava da Joana, mas era muito difícil conviver com os seus "pacotinhos indisciplinados". Ele tinha razão. Joana sabia que seus filhos adolescentes eram indisciplinados.. No entanto, ele não era o pai dos garotos. Por que ele não agradava os meninos em vez de criticar?

A solução adequada veio com o tempo. Aos poucos, Joana descobriu que precisava se aproximar mais dos filhos. Algumas arestas precisavam ser aparadas como: indisciplina, ciúme e raiva. O diálogo entre mãe e filhos, fortaleceu o vínculo familiar. Antonio também descobriu que com crítica não conseguiria se aproximar dos enteados . Voltou a frequentar a casa aos poucos. Procurou se aproximar mais de José e descobriu que ele tinha muito ressentimento do pai. Ele raramente o via depois da separação. Achava que perdera o pai, por causa da separação. Agora, sentia medo de perder a mãe. Aos poucos, a convivência entre os quatro ficou melhor. Antonio voltou a morar com Joana. Não era uma convivência perfeita, mas estava mais saudável.




É difícil começar e preservar um relacionamento quando se tem filhos crescidos ou não. Agora, os tempos mudaram e a a sociedade familiar também. São: "os meus, os seus, os nossos"(filhos).

Há solução mágica para a situação? Não adianta fingir que tudo está bem, colocando panos quentes. E, nem sempre, punir um mau comportamento pode resolver o conflito. "Olha, se você tratar mal meu namorado, corto o vídeo game." Nada como uma conversa séria e franca.Insista no diálogo. Eles precisam sentir que são amados, apreciados e ouvidos em suas queixas. Você não pode obrigar sua filha a gostar do namorado, mas poderá com o diálogo, descobrir a causa da dificuldade no relacionamento dos dois: ciúme, raiva, desinteresse dele ou outras dificuldades? Muitos sentimentos podem estar mascarados ou inconscientes.

Se você se separou e começou um novo relacionamento converse com seus filhos. Nada como prepará-los. E esteja preparado para o ciúme. O ideal é ser sempre sincero com as crianças ou filhos adolescentes. Às vezes, os filhos aceitam melhor a namorada do pai do que o namorado da mãe. Para os filhos, a mãe é somente mãe: imaculada e sagrada. No início do relacionamento, seu namorado ou namorada farão tudo para cativar seus filhos. No entanto, com a convivência as dificuldades poderão aparecer como: ciúme, raiva, e medo. "Este homem vai tirar nossa mãe de nós." "Ih, a namorada do meu pai é muito chata." "Credo, o filho do namorado da minha mãe é um chato". "As crianças da minha namoradas são mimadas e terríveis. Será que vou aguentar?"Ou então: "Estou grávida do meu novo marido. Será que ele vai tratar melhor este filho do que os meus do primeiro casamento?"

Há casos mais sérios como de um adolescente que tentou o suicídio quando soube que a mãe começou um namoro com um rapaz bem mais jovem. Em outro caso, a mulher arrumou um namorado mais jovem e percebeu que havia arrumado "outro filho:"Ele só quer ficar no computador com meu filho ou jogar bola com ele......... e eu?"

Cada casal deve encontrar a solução apropriada quando as dificuldades aparecerem..Alguns casais escolhem a opção de morar em casas separadas para preservar os filhos. Outros não. A convivência se mostra pacífica e as arestas são aparadas.O que deve contar é a realidade e não as falsas expectativas.

O casal deve separar os problemas externos da convivência entre o casal. Saber o que é um deve esperar do outro. Será que seu namorado deseja um envolvimento maior com seus filhos? Será que a sua segunda esposa tem o direito de interferir na educação dos seus filhos? Tudo tem que ser bem conversado entre o casal, para que ambos superem as frustrações e as crises. Não somos uma ilha. Um relacionamento sério envolve responsabilidade e comprometimento. Não é somente o seu namorado ou segundo marido. Ele vem com toda sua história de vida, sucessos, filhos, pais e a família. O que o casal não pode permitir é que as dificuldades sufoquem ou destruam o relacionamento. Antes do casal tomar qualquer decisão mais séria como o casamento ou morar juntos, conversar muito a respeito. O relacionamento tem que estar bom para ambos. E isso envolve um convívio harmonioso e forte o bastante para superar as dificuldades normais de convívio entre os filhos ou a família do casal.

Lembre-se! Qualquer sentimento falso de proteção ou de amizade cairá por terra um dia. Se você chamar a atenção da filha da sua namorada, poderá perder a mãe dela. Esteja ciente do seu verdadeiro papel dentro deste relacionamento. Vá com calma! Não tente interferir na relação mãe x filho se não for consultado antes. Em alguns momentos, uma aproximação forçada poderá ser confundida com intromissão. E nem sempre, a cara emburrada de um adolescente reflete realmente o que ele está sentindo por dentro. Nem sempre é desamor ou raiva . Pode ser: "Ei, mãe, dê atenção para mim também. Este homem chegou na sua vida........ e eu , agora?"

Os laços da família ainda podem ser reforçados mesmo depois de uma separação ou divórcio. Os pais tem estar sempre próximos aos filhos, dispostos a ouvi-los, compreende-los. A disciplina também entra nesta questão. Os filhos se sentirão mais seguros. A família, no século XXI ,está diferente mas ainda é uma família. Família de mãe com dois filhos. Família de pai com duas filhas. Ou mesmo, uma família formada pelos filhos do primeiro casamento com os do segundo casamento.

Existe a possibilidade de uma convivência pacífica e harmoniosa. Observe e escolha bem a pessoa com quem você vai se relacionar. Afinal, você tem filhos e eles são preciosos! No entanto, eles também tem que saber que você continuará mãe deles ou o pai amoroso, mesmo tendo um namorado ou namorada. Um relacionamento maduro nem sempre é um mar de rosas. Pense: "Eu tenho filhos e os amo. A pessoa que quiser ficar comigo terá também que conviver com meus filhos. Será que vai gostar deles? Aceitá-los? E, meus filhos, aceitarão o novo namorado ou namorada?" Vá devagar. Viva um dia de cada vez. Se acha que a relação ainda está insegura, espere um pouco para apresentar seus "lindos pacotinhos".Crianças pequenas são carentes e podem ver naquele namorado ou namorada a figura de "um novo pai" ou "nova mãe." Poderão ser um dia amigos dos seus filhos, mas jamais serão a mãe ou o pai deles.

O ser humano tem uma grande capacidade de se adaptar a situações novas. Em casos mais sérios onde o conflito é grave ou muito problemático, procure ajuda profissional.


Sandra Cecília

 

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