Psicologia - 02/05/2004
Nossos filhos




Pedro, 15 anos, serviu-se de suco de laranja, mas seu jeito atrapalhado provocou um desastre. O copo emborcou e uma mancha amarela forrou a toalha nova. A família estava reunida para o almoço de domingo. Pedro lançou um olhar amedrontado para o pai, sentado à cabeceira da mesa:

- Desajeitado como sempre, não é, Pedro?- criticou o pai asperamente.- Da próxima vez, preste mais atenção ao que está fazendo!- Pedro enrubesceu de vergonha.

O adolescente foi buscar um pano para limpar a mancha. No entanto, a partir daquele momento outra mancha mais resistente se formou em sua personalidade. A crítica severa do pai teve uma séria repercussão na vida de Pedro. A princípio, ficou desconcertado com a observação do pai. Mais tarde, sentiu ressentimento por ter sido advertido na frente dos primos e irmãos. E, este ressentimento perdurou durante muito tempo. Pedro nunca mais foi o mesmo. Sentiu-se mais desastrado ainda e se tornou um rapaz tímido e inseguro.




Elizabeth chegou chorando em casa. Tinha 10 anos de idade e vivia a experiência da primeira nota baixa em Matemática. A mãe, preocupada, correu para o quarto, para verificar o que estava acontecendo. A menina chorava baixinho debruçada sobre um papel com uma nota I- Insuficiente.

- Beth, por que está chorando?

- Sou burra, mãe! Sou muito burra! Nada entendo do que a professora de matemática explica...mas sempre ficava na média..... Olha, a minha nota , mãe! O que o pai vai falar?- perguntou, encarando a mãe com os olhos marejados d`água.

A mãe sorriu e afagou os cabelos da menina. Não sabia como tranquilizar a filha:

- Seu pai não vai brigar com você. Ninguém vai brigar com você. Beth, você sempre foi uma aluna esforçada e aplicada. Não dê tanto valor assim às notas. Quer se aplicar em Matemática? Estude mais ou então, poderemos contratar um professor para algumas aulas de reforço. O que você acha?

- Eu sou burra, mãe!- afirmou.

- Pára com isso! -advertiu a mãe.

- A Verinha vive me chamando de burra, mãe!

Depois de muita conversa, Beth se acalmou.O bate papo com a mãe melhorou a auto-estima da garota. Fortaleceu seu psiquismo e a preparou para o ano letivo difícil. Mais tarde, para um futuro na Universidade.




Paulinho, 17 anos, arrumou sua mochila e disse resoluto:

- Pai, hoje vou dormir na casa da namorada!

- O quê?! - perguntou o pai.- Dormir onde?!!!!!!

- Tininha me convidou - justificou-se.

A mãe de Paulinho retrucou:

- No meu tempo não era assim... Como os pais dela permitem isso? Você vai dormir no quarto dela?

- Mãe, "normal" isso...é. normal... beleza, mãe!

- Não acho nada de normal... Você tem que se concentrar nos seus estudos... ( blá blá blá blá) - e desfiou um rosário de justificativas, as quais, Paulinho mal ouviu.




Taís ficou horrorizada quando o filho de 22 anos a agrediu fisicamente. Ele mandava e desmandava dentro do lar. Ela vinha de um casamento infeliz e tinha dois filhos. Não sabia mais como controlar o filho. Através de acompanhamento psicológico esta mãe descobriu onde estava a raiz do problema. O rapaz agressivo de hoje, foi a criança muito mimada de ontem. Taís nunca deixou faltar nada ao garoto. Ele era uma criança exigente e só pedia roupas de marca. Taís nunca dizia não ao filho e, mais tarde, a falta de limites e disciplina trouxe aborrecimentos graves dentro do seu lar.




A clássica pergunta: "Como lidar com nossos filhos? Como ajudá-los sem sufocar sua personalidade? Como educar uma criança ?"

Atualizar a forma de educação dos filhos não é fácil. Ao mesmo tempo, as coisas mudaram muito. A sociedade mudou, o casamento também. O ideal é adequar nossos valores aos tempos modernos. Estamos preocupados com filhos e drogas, filhos e os amigos, filhos e namorados ou namoradas, filhos e a vida moderna.

Em primeiro lugar, a criança ou adolescente precisa se sentir amada. Pais não são perfeitos, mas têm que atuar com muito amor e uma boa dose de disciplina. Adolescentes e crianças precisam de limites. Na verdade, quando eles percebem os limites colocados pelos pais, sentem-se mais seguros.

Valores como família, diálogo e respeito aos mais velhos, à sociedade, à comunidade, não podem acabar.

Valorizar seu filho é fundamental para seu crescimento e formação da personalidade. Se o pai de Pedro soubesse o quanto prejudicaria a formação psicológica do rapaz, com aquela crítica infeliz, pensaria duas vezes antes de sinalizar o comportamento desastrado do rapaz. A crítica dura e severa não corrige nenhum tipo de comportamento. A criança duramente criticada quer se defender e não modifica o comportamento só por causa da crítica. O comportamento indesejável pode até aumentar.

"Então, quer dizer que devo somente elogiar meu filho e deixar que ele faça o que quiser?"

Não. O caminho correto é o equilíbrio. Prefira o elogio ao comportamento adequado à critica ao comportamento indesejável. A adolescência é uma fase muito difícil e até perigosa. Às vezes, o jovem se sente poderoso, um verdadeiro adulto. Noutras, uma criança insegura.

A mãe de Beth, através do diálogo, conseguiu melhorar a auto-estima da sua filha.

Como os pais de Paulinho vão resolver a questão "dormir na casa da namorada?". Tiveram uma educação tradicional. Vieram do tempo do namoro e não do tempo do "ficar". Têm receio de que o filho se comprometa bastante neste namoro juvenil e prejudique o seu futuro nos estudos. Ao mesmo tempo, receiam impedir estas iniciativas no namoro e prejudicar o relacionamento do Paulinho com os pais. É melhor que o filho esteja dormindo na casa da namorada, do que na rua.

Algumas famílias não percebem onde fracassaram na educação dos filhos. "Fiz tudo por ele! Tinha tudo de bom e agora... meu filho mexe com drogas!" Coisas materiais podem exprimir o amor dos pais, mas não é o bastante. Muitas facilidades na vida da criança, principalmente as materiais, podem formar uma criança com o psiquismo frágil ante os obstáculos da vida. Não dará valor aquilo que tem, porque está acostumado a não lutar para obter as coisas ou acostumado ao desperdício.

Taís cobriu o menino de mimos e criou um rapaz agressivo e voluntarioso. Jovens problemáticos podem ter sido crianças mimadas no passado. Jovens inseguros ou muito tímidos podem ter sido crianças muito reprimidas pelos pais.

No entanto, muitos lares difíceis e problemáticos, formam jovens excepcionais. Estes jovens têm uma maturidade incomum e, as dificuldades somente dilapidam melhor seu potencial positivo.

Parece uma loteria educar um filho. A gente tem muito medo de não saber se está agindo corretamente ou não. Fique no caminho do equilíbrio na formação do seu filho. Leia bastante, se atualize, mas jamais abdique dos valores tradicionais da família. A conversa, o diálogo, o bate papo ajudam bastante.

Saiba quem são os amigos dos seus filhos. Saiba onde eles vão e que ambiente frequentam. Pesquisas mostram que uma formação religiosa pode ser muito boa para a formação da criança. Através da educação religiosa eles aprendem valores importantes como: respeito, crença num Poder Superior, afeto, fraternidade. Esta formação religiosa não deve se esgueirar para o fanatismo e não ser muito imposta.

Nada pode ser imposto. Há muitas formas de sinalizar um mau comportamento e de dizer "não".

Criamos nossos filhos para o mundo. Isso é difícil de aceitar.. Nossos bebês, um dia também, serão adultos maduros e pais e mães cheios de perguntas e respostas como nós também!


Sandra Cecília

 

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