Psicologia - 20/12/2003
Reprovação no Vestibular




Lúcia acompanhou a lista dos aprovados no Vestibular com ansiedade e expectativa. Francisco,seu filho, havia prestado vestibular de Medicina em uma Universidade Federal. Foi um ano de muitos gastos com cursinhos. Afinal, era o segundo Ano que ele prestava vestibular e não era aprovado.

A mãe ansiosa frustrou-se mais uma vez. O nome do seu filho não constava da lista dos aprovados e, muito menos, dos excedentes. Deu um longo suspiro. Ela entrou no quarto e deu a notícia para um adolescente sonolento:

- Francisco, você não passou de novo!- a voz estava triste. - Puxa, Chiquinho, você poderia ter se esforçado mais. O Pedrinho e o Fábio passaram. Você não!

Francisco bocejou e espreguiçou-se na cama. Sentiu uma grande frustração. No entanto, ela veio com mais força com a reação triste da mãe. "Você poderia ter se esforçado mais."- ficou martelando em sua cabeça durante um bom tempo. Chiquinho tinha dado o melhor de si. "Minha mãe não entende....nunca vai entender."- pensou, aborrecido.




Os pais nem sempre sabem como agir na hora de um exame importante dos filhos. É fácil comemorar uma aprovação num vestibular concorrido, num concurso difícil ou vestibulinho. São gastos com apostilas, cursinhos, professores particulares, enfim, um ano tenso. E, quando esperam o grande momento da aprovação vem a tristeza: " Ei, cadê o nome do meu filho na lista?" Como agir numa situação dessas?

Não adianta cobrar o rendimento do seu filho com críticas ou comparações. O exame já passou e esta atitude não mudará o resultado da prova. Comentar a aprovação do amiguinho também não ajuda. Nada como a sinceridade e apoio. Neste momento, as críticas não trazem resultado algum. Seu filho precisa tirar uma lição de vida com a reprovação. Saberá se realmente se dedicou o suficiente nos estudos. E a partir daí , o amadurecimento. É assim a vida. Só se aprende acertando e errando.

Converse com seu filho. Conversar e não somente falar com ele. Ouça o que ele tem a dizer. Neste momento, por um segundinho só , esqueça um pouco que você é pai ou mãe dele. Pode imaginar o que ele está sentindo com a reprovação? Seja solidário. Se ele reconhecer que não se esforçou o suficiente, não doure a pílula. Seja sincero(a): "Ótimo, você não estudou o suficiente. No ano que vem, começará tudo de novo. Já tive esta experiência, sabia? No primeiro ano de vestibular também não fui aprovado."Conversando com ele, se sentirá mais seguro.

A crítica negativa não traz resultados . Observe o comportamento do seu filho. Será que é realmente o curso que ele desejava fazer? De repente, seu caminho é outro. Existe orientação vocacional para direcionar o caminho do seu filho. Através da orientação vocacional, ele poderá ter uma noção de suas aptidões e interesses. Nossos filhos sempre ouvem nossas conversas e opiniões. Alguns pais tem o costume de dizer: " Olha, esta profissão não dá dinheiro..... Perda de tempo! Escolha outra." Ou então, os pais desejam que os filhos sigam a mesma profissão do pai ou mãe. "Olha, meu consultório médico ou odontológico ficará para você. Já pensou nisso?" Será que é isso que ele quer?

Ou então vem aquela dolorosa frustração de que seu filho não gosta de estudar. Os anos escolares não passam, se arrastam. Adianta castigar, criticar ?!! Os adolescentes gostam de limites e, com os limites, encaram as primeiras responsabilidades. Ajude-o quando ele solicitar , mas não faça o trabalho para ele. E, se o rapaz ou a moça não quiser mais estudar? Seu filho é um universo diferente do seu. Nem sempre o que foi bom para você será o ideal para ele. No entanto, vem aquela frase: "Largue os estudos. Vai empurrar carroça na rua. Já está difícil com diploma de curso superior..... imagine sem um.!....." Infelizmente, isso também não ajuda.

Luiz , 23 anos, abandonou os estudos sob os protestos da família. Um ano depois, se interessou por mecânica de carros e começou a trabalhar numa oficina. Hoje, trabalha em sua própria oficina.

Maria, 22anos , era péssima aluna na escola. Não estudava para as provas. Terminou o colegial a duras penas. O pai, preocupado, conseguiu um intercâmbio para a filha nos Estados Unidos. Maria foi para os Estados Unidos sem muito entusiasmo. Hoje, está casada e tem 3 escolas de inglês.

Muitos fatores influem no rendimento escolar do seu filho. Sempre é bom averiguar a causa do mau desempenho escolar: separação dos pais, depressão infantil, problemas com coleguinhas ou com os professores, dislexia, envolvimento com drogas, etc. Analise com cuidado e , se for necessário, busque ajuda profissional adequada.

Acredite no seu filho e na capacidade que ele tem de enfrentar os insucessos. Acredite em você mesmo como pai ou mãe. Nem sempre acertamos, mas carinho, respeito e amizade sempre funcionam. Coloque limites e organize os horários de estudo. Verifique a frequencia escolar. Não falte nas reuniões de pais e mestres. Seu filho se sentirá mais seguro e amado com seu sincero interesse.

Não existe uma cartilha específica para a educação e formação dos nossos filhos. Não compare seu filho com os amigos ou mesmo os irmãos.

Vale a pena relembrar seu passado. Como foi sua adolescência? Como seus pais reagiam quando você era reprovado em algum concurso ou vestibular? Às vezes, cometemos o mesmo erro dos nossos pais. Já pensou nisso?

Sempre é tempo de recomeçar!


Sandra Cecília

 

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