Relacionamento - 02/02/2004
Ele quer... mas ela não! Ela quer, mas ele não!




Mariza levantou-se bem humorada naquela manhã. O sol brilhava e a noite prometia lua cheia e encantadora. Pegou o telefone e discou para seu namorado:

- Ricardo, estou com vontade de ir ao baile hoje! A gente precisa dançar um pouco, ouvir música. Que tal?- arrisca a moça. Ela ouve um longo suspiro do outro lado do telefone. Ricardo não parecia animado com a sugestão:

- Mariza, estava querendo ficar em casa e assistir um filme policial alugado na locadora. Não sei... não estou com muita vontade de dançar hoje!

Mariza ficou com raiva. Ela queria ir ao baile. Ele não! Sabia que bailes não eram a diversão predileta do namorado. Fazia meses que ensaiava o convite. Quando criou coragem para tomar a iniciativa, não deu certo. Resmungou qualquer coisa ao telefone. Ricardo interpretou mal a conversa e começaram uma discussão acalorada. Conclusão: nem baile e nem filme alugado. O sábado enluarado se transformou no cenário de uma briga de namorados.




Margarida chegou cansada após um dia inteiro exaustivo no escritório. Tomou um banho, colocou um roupão e ficou esperando o marido chegar do trabalho. Cochilou no sofá. Gérson chegou do escritório com uma pizza e um bom vinho. Ele espichou os olhos para o roupão sensual da espôsa e piscou o olho:

"Você está linda neste roupão!"- elogiou, passando a mão nas pernas da mulher. Margarida abriu os olhos e viu o desejo estampado nos olhos ávidos do marido. Estava cansada. Queria ir para a cama! Comeu a pizza e mal tomou um gole do vinho. Na cama, Gérson tentou um carinho. Margarida rejeitou-o delicadamente:

- "Estou muito cansada hoje, Gérson! Quero dormir!" - disse, com voz sonolenta.

Gérson sentiu como se fôsse uma ducha de água fria. Não gostou da reação da espôsa. Estava excitado e cheio de desejo. Ele também estava cansado mas, mesmo assim, queria fazer amor com a mulher. Amanhã era sábado e poderiam dormir até tarde. O marido frustrado nada conseguiu a não ser um boa noite sonolento de uma espôsa exausta. Ela virou-se para o outro lado da cama e adormeceu profundamente. Pronto! Aquela noite de sexta-feira transformou a semana de Gérson numa semana difícil. Ficou a semana toda sem falar com a mulher. Não conversaram sobre o assunto, mas Margarida observou a contrariedade do marido.

O que fazer? Às vezes, o relacionamento parece muito complicado. São as alfinetadas do dia a dia. Os pequenos aborrecimentos. Ouvir um "não" quando se quer ouvir "sim"! Sentimos uma boa dose de frustração e interpretamos a contrariedade como falta de amor. Aí vem a confiança mútua, o amor próprio sinalizando a temperatura do Amor. Se ele já está insatisfatório ou muito problemático, o casal fica desestimulado de tentar pequenas gentilezas ou carinhos. E tudo se transforma numa bola de neve. Cada vez aumenta mais!


O que une o casal é uma boa dose de companheirismo. Ser companheiro, amigo, solidário. Não quer dizer satisfazer todas as vontades do ser amado só para agradar. A mudança não será espontânea e, um dia, um dos parceiros se ressentirá do "sacrifício". O companheirismo requer diálogo e uma boa dose de tolerância. Abrir mão de algumas coisas em prol de outras.

Se Mariza topasse assistir um filme com o namorado, talvez no próximo final de semana, ele a levasse ao baile. Ou se ele a levasse ao baile, ela se sentiria mais convencida a ficar em casa quando ele não quisesse passear. Tem que prevalecer o desejo natural de agradar o outro e fazê-lo feliz. Quase sempre num relacionamento queremos mais receber do que doar.

São pequenos detalhes que fazem o todo e enriquecem a vida do casal. Sem tolerância e amor próprio as negativas podem significar rejeição. O egoísmo não funciona na vida de um casal. O egoísmo exige e manipula. Quer porque quer e pronto!

As pessoas têm gosto e temperamentos diferentes. Alguns casais possuem os mesmos gostos e desejos. Há uma semelhança nas afinidades e este fator ajuda no relacionamento. Outros são atraídos pelas diferenças nos gostos e desejos. No começo, as diferenças aproximam, mas com a convivencia nem sempre funciona desta maneira. São duas individualidades que resolveram partilhar uma vida em comum. Ele pode gostar de futebol, ela não. Ela adora música dance, ele gosta de rock. Com diálogo, carinho e ternura muito se pode conseguir do homem amado ou da mulher amada. Sem forçar a barra. Nada duradouro se consegue na base da força ou da imposição.

O verdadeiro Amor não impõe coisa alguma, nem floresce à custa do sofrimento do outro. Somos humanos e nosso Amor ainda é muito capenga. Em primeiro lugar, amamos o nosso Ego, o nosso Eu. Quando somos contrariados pela pessoa amada, viramos um bicho. Parecemos uma criança mimada!

Um relacionamento maduro e feliz precisa de pequenas doses de paciência, sabedoria e muita tolerância. Seu amado não gosta de bailes, mas é carinhoso, sensível e amigo. Sua amada cozinha mal e não gosta de viajar, mas é a mulher que você ama. Ótima companheira, alegre e carinhosa. Reavalie o saldo do seu relacionamento.

A vida é curiosa. Nem sempre podemos ter tudo! Ser adulto é admitir que por causa de nossas escolhas, abrimos mão de alguma coisa. Querer tomar posse de tudo significa imaturidade.

O casal companheiro sempre conversa sobre estas pequenas divergências. Sinceridade e espontaneidade. Há muitas maneiras de se discutir um assunto sem brigar ou ferir a pessoa amada.

Aprender a Amar é uma Arte Maravilhosa de exercício de Bondade, Gentileza e muito carinho!

Quando estiver a ponto de impor um princípio, uma vontade, ou uma maneira de ser à pessoa amada, pense na tristeza de um pássaro engaiolado. Se você abrir a gaiola, fatalmente ele voará livre e feliz! Agora, pense num Pássaro livre, mas ligado a você pelo afeto e carinho. Ele tem a liberdade de ir e vir, mas sempre volta! Não existem amarras e nem gaiolas. Ninguém é de ninguém!

Não faça de seu relacionamento uma prisão. Respeite a vontade do ser amado e também a sua vontade e seus desejos. Faça tudo para se realizar na vida do ponto de vista espiritual, mental e profissional. Não coloque apenas no outro sua garantia de felicidade.

Assim, quando mais realizado e satisfeito você estiver tendo seu próprio espaço, mais você curtirá a presença da pessoa amada... Pode ser num motel, num cinema escurinho, num chalé nas montanhas... ou então, na sua própria casa, vendo um filme alugado. Qualquer momento será muito especial!


Sandra Cecília

 

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