Relacionamento - 28/09/2003
Problemas financeiros afetam o relacionamento?

Quando a falta de dinheiro entra por uma porta, o Amor sai por outra. Será?




O casal Estela e João saiu do cinema. Estela acabara de ver um filme lindo de amor. João abraçou-a fortemente. O sábado mal começara. Jantaram juntos num restaurante. Boa comida, vinho e música ao vivo. Estela encantada com o cenário maravilhoso do seu romance. Dançaram de rosto coladinho na danceteria e fecharam a noite numa suíte Cinco Estrelas de um Motel. A jovem vivia nas nuvens. Seu rosto iluminado, na pele um novo viço. Seguiram muitos e muitos finais de semana maravilhosos. Eram uma mistura de aromas deliciosos, de lençóis de seda, veludo e beijos de amor. Viagens programadas selavam o grande amor. As crianças, frutos daquela união sagrada, acompanhavam os pais nas viagens de férias. Nordeste do Brasil, Sul e depois a Europa. Estela realizou seus sonhos em Veneza, Paris e deslumbrou-se com as compras em lojas requintada. Se havia rotina naquele casamento, Estela mal percebia. João a enchia de presentes, surpresas e agrados sugestivos como: uma bela jóia, um anel, ou então um ramalhete de flores do campo.

A Estela gostava do conforto e da liberdade que o dinheiro proporcionava. O dinheiro parecia rechear seu casamento de coisas boas. Ele fechava com selo de ouro o amor daquele casal jovem.

João trabalhava muito naquela empresa, mas ganhava muito bem. Estela era autônoma e trabalhava com informática. As crianças estudavam em colégios particulares e possuíam muitos brinquedos.

A vida parecia quase... uma festa! João tinha um bom humor contagiante e Estela era alegre e ótima anfitriã. A casa vivia cheia de amigos, boa música e conversa.




Numa terça-feira, a vida do casal deu uma guinada ! João chegou em casa arrasado. Perdera o cargo de gerente da empresa.... enfim, perdera o emprego. Estela engoliu em sêco. O coração disparou. No entanto, disfarçou a decepção e encheu o marido de beijos e palavras de consolo. Falou que, em pouco tempo, ele arrumaria outro emprego. Falou, falou e falou.... À noite, chorou escondido. Quinze anos de empresa.. . e pronto! Seu marido estava na rua como um animal abandonado. E seu valor? Os anos duros e suados? As horas extras?

Dia a dia, o casal começou a perceber a mudança. Ela saiu da carteira e se infiltrou no dia a dia como uma bactéria invasiva. Com o dinheiro recebido na empresa, João tentou trabalhar por conta própria abrindo uma firma. Dois anos depois, a firma faliu. Estela começou a segurar as pontas na casa. João fazia bicos. As crianças foram para a escola pública. Muitos amigos se afastaram. Poucos faziam parte da agenda telefônica do casal. Acabaram-se os jantares à luz de vela, o cineminha semanal, os vestidos novos e os presentes valiosos. Estela conhecia agora um outro João. A alegria passou longe.... e em seu lugar, um ar sombrio e quase carrancudo. João agora reclamava de tudo: da comida , das crianças e do horário que Estela chegava em casa. Fumava nervosamente....A atração gostosa que um sentia pelo outro... saiu correndo da cama. Agora, morava na cama, o tédio, o enfado e dois corpos separados. Estela caía na cama exausta. João virava para o lado e dormia.

Currículos, currículos e currículos... João só via currículos... na sua frente. Precisava de um emprego, quase implorava por um emprego. Estela estava cansada e muito triste. As crianças acostumadas com os mimos estranhavam o ?não? freqüente nas poucas noites em que iam passear no shopping. Passear no shopping ....diferente de fazer compras no shopping.

Seis meses se passaram e nova guinada. A menina caçula do casal adoeceu gravemente: pneumonia. João e Estela tiveram que mudar o foco e objetivo de vida. Esquecer a Dor menor , porque veio a Dor maior. Pior que perder o emprego seria perder a pequena Aninha. Nos dias em que a febre teimava em levar Aninha, João e Estela se reaproximaram. Choraram e rezaram juntos. Naquela noite, dormiram abraçadinhos.

Aninha ficou boa e o casal também se curou completamente. Passaram no Teste da Vida.

O Amor passou por várias provas e sobreviveu! Depois de algum tempo, a nuvem negra foi embora e João conseguiu um bom emprego. Nunca mais foram os mesmos. Aprenderam a dar valor as pequenas coisas da vida... e aprenderam o quanto as coisas mundanas podem ser passageiras. Aprenderam também a serem mais solidários com a dor alheia. Aprenderam e o Amor renasceu!




Uma vida confortável faz bem a qualquer casal: enamorados, amantes, marido e mulher, etc. O dinheiro abre portas e facilita a vida no mundo. No entanto, melhor do que ele é nossa essência. O dinheiro pode entrar e sair da sua vida de repente. Você já pensou sobre isso? Nada é garantido neste mundo!

Se você e a pessoa amada desmoronam logo na primeira dificuldade financeira... aí sim, A Falta de dinheiro sai por uma porta... e o Amor sai por outra.

Li no site Guruweb a seguinte frase: O Amor é flexível e maleável. Sim. O verdadeiro amor. No entanto, ainda engatinhamos em matéria de amor. O ser humano ama, mas de acordo com sua evolução. Ama com certo egoísmo e preza muito mais a forma do que a essência.

Muitos casais se desentendem quando vem a falta de dinheiro, a doença ou uma grave dificuldade. Não é fácil sobreviver em meio à privação. No entanto, você pode enxergar mais além e perceber que as coisas ruins terminam um dia.

Se você sempre teve um bom relacionamento com a pessoa amada e agora passam por uma crise financeira, tenham paciência um com o outro. Se o homem é o provedor do lar costuma ficar muito diferente. O homem atribui muito valor ao dinheiro e à sua vida profissional. E, se ele é o único provedor pode se sentir enfraquecido e vulnerável. Pode reagir mudando o comportamento. Ficar diferente, rude ou então fechado demais. Não quero dizer que a Falta de dinheiro justifica tratar mal a pessoa amada. No entanto, trata-se da tolerância ante um comportamento passageiro. Procurem alternativas para a crise. Juntos conversem sobre o assunto. Se ele ganha menos do que a mulher, o problema pode ficar mais grave com alguns casais. Hoje em dia, as mulheres trabalham e ajudam nas despesas. Se o homem fica desempregado e a mulher de repente se torna a provedora, pode gerar uma crise.

Alguns casais são bem criativos e superam bem a crise. Procuram restaurantes mais baratos, cortam despesas e o amor se fortalece bastante. Outros casais não. Quando não é amor ... e o homem de repente fica pobre, pode ser que a companheira... desista dele. Aí, não acredito que seja Amor. O amor verdadeiro supera barreiras e obstáculos.

No entanto, amamos... sim, mas com deficiências. Sentimos medo, somos recheados de preconceito e alguns homens de machismo. Se o casal vive só de aparências, poderá sucumbir ante uma crise financeira.

Viver bem é aceitar a realidade do jeito que ela apresenta. Mudar o que se pode e aceitar aquilo que não podemos mudar. Viver bem é acreditar, por exemplo, que o Brasil tem jeito... Viver bem é acreditar no seu homem, valorizá-lo sempre, na fartura e na pobreza. Não estou falando da história de um amor e uma cabana, mas de arregaçar as mangas e lutar por uma vida melhor. Se as dificuldades persistem, é hora do amor persistir também! Se você não pode fazer amor com seu marido num motel de luxo, coloque boa música.... e faça amor na sua caminha mesmo. Se não pode comer salmão, coma frango assado. Coma com alegria... Tem gente por aí.... que nem come...ou come mato. Viver bem é acreditar na sua mulher, sendo ela uma grande empresária ou uma valorosa dona de casa.

Viver bem é saber amar.... e sofrer... com dignidade, acreditando em dias melhores!


Sandra Cecília

 

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