Entrevistas - 26/06/2006
Entrevista Curiosa com Senhora Dona Morte




Relax Mental tem uma máquina própria para as entrevistas. E, com essa máquina Relax Mental viaja para para onde quiser. Tudo é possível. É necessário um trabalho árduo com a imaginação. Neste trabalho mental, todos os tipos de entrevistas são possíveis. Não existem limites, mas os objetivos são: diversão, informação, humor e reflexão.

Era um domingo cinzento e chuvoso. Tudo parecia lúgubre e escuro. Eu me lembrei de uma frase muito popular. Dizem que é dos índios. Não sei ao certo. Quando o dia amanhece nebuloso, os índios dizem:

-Hoje, é um belo dia para morrer!

De repente, pensei na Misteriosa Senhora Dona Morte. Um arrepio percorreu-me a espinha!Puxa, onde seria possível encontrá-la? Por que a senhora Dona Morte faz uma salada de terror em nossa cabeça? No entanto, ela está aí e um dia , partiremos desse mundo.

Encontrei-a na madrugada escura. Não havia estrelas no céu. Ela apareceu e não era um esqueleto ambulante. A sensação experimentada foi muito forte, mas não era ruim. Ela concordou com a entrevista:

Relax Mental: - A senhora acha, que de uns tempos para cá, têm recebido mais atenção?

 Senhora Dona Morte: ( O vulto perfilou-se todo!)- Claro que sim! Os tempos estão mudando.. novos acontecimentos e mudanças. Tudo isso dá ao homem uma sensação de insegurança. Aí, ele se pergunta, de onde veio, para quê e para onde vai depois da Morte? Eu sou um pouco .. produto da imaginação...

 R.M: - As pessoas vivem como se não fossem morrer. O tempo avança.. e um dia a Senhora chega para chamar a gente.

 Senhora Dona Morte: - Cumpro minha missão! E, graças ao Pai Criador ninguém parte antes da hora. Só quando as pessoas mudam as regras e isso é muito sério.

 R.M:- Como assim?

Senhora: - Algumas pessoas no auge do desespero fazem o meu trabalho. Escolhem a hora e se matam. Fico muito triste quando isso acontece.O ser humano apressa a hora do encontro comigo. Bebe demais,come demais e se preocupa muito com os bens materiais. A coitada da matéria não agüenta e eu tenho que cumprir minha missão. Quando chega a hora, não adianta fugir de mim.

R.M: - A Senhora acha que o suicídio é um ato de coragem ou covardia? Nós temos um senso de sobrevivência e apego ao corpo muito arraigado.

Senhora: - É uma questão muito delicada, morrer antes da hora. Temos um Pai lá em cima e só ele decide.

Por que não pôde evitar a morte daquela linda menina que foi jogada da janela? São tantas as tragédias que estão acontecendo com as criancinhas!- ela ficou muito séria. Silêncio por alguns instantes.- Parece que estava muito longe dali.

Senhora: - Eu faço meu trabalho. Há uma razão para tudo que acontece, mas o Mal é sempre o Mal. Quando alguém precisa passar por determinada prova não é necessário que seja pelas mãos de alguém. Compreendeu? A menina está bem hoje. Recupera-se gradualmente sob o amparo de entidades amigas. Mais do que isso não posso relatar.- uma sombra passou pelo seu rosto.


R.M: - Por que a senhora parece tão feia? Aquela imagem de uma caveira segurando a foice é simplesmente horripilante!

Senhora: - Desde os tempos bíblicos me "pintam" assim, fazer o quê. Cada um me vê como quer. Posso ser um anjo ou uma luz, um ser brilhante. No entanto, algo é certo. Você e quem está lendo esta entrevista.. Vai ter um encontro comigo um dia e espero que não dê trabalho.

R.M: (Acabei engasgando de medo!)

Senhora: - Acalme-se, porque a sua hora ainda não chegou!- a Dona Morte parecia sorrir..se é que a Morte sorri.- Bem, eu me arrumei toda para a entrevista. Estou bonita?

R.M: - A senhora fica bem de preto,mas é um pouco depressivo.Não acha?

Senhora: - Quem sabe sou cogitada para participar do Big Brother número 10!

R.M: - Creio que não, senhora!

Senhora: Qual sua cor preferida?

R.M: - Azul, verde claro.

De repente, a roupa da Senhora se transformou num tom magnífico de azul.

R.M: - A senhora ficou bem de azul- observei.- No entanto, continua sendo a Dona Morte... Na verdade, é difícil aceitá-la quando entra num lar, numa família... para chamar alguém. Como se sente a respeito?

Senhora: - Faz parte da vida e são os mistérios divinos. Cada um vem para cumprir sua missão e depois vai embora...

R.M: - A Senhora sabe para onde vamos quando morremos?

Senhora: - Depende de você mesma, querida- sua voz estava quase terna.

R.M: - Como assim?

Senhora: - Sua vida é sua própria Morte. Quem tem uma vida boa tem uma boa Morte, "com certeza". Adoro usar termos da moda- disse, bem humorada.

R.M: - O que é ter uma vida boa?

Senhora: - Acho que é viver bem, com sabedoria, alegria...ser bom, fraterno. Sem desejar muito, sem esperar muito. Simplesmente viver!

R.M: - Algumas pessoas têm medo de serem enterradas vivas! Já pensou acordar numa urna funerária?

Senhora: - Hoje em dia, isso é raro. As pessoas eram enterradas vivas por causa da catalepsia (morte aparente). Não se preocupe com isso. A medicina está muito avançada e esta possibilidade é rara... Até as doenças consideradas mortais, hoje em dia, com a ciência, estão sendo vencidas. Assim, fico mais tranqüila e posso descansar muito mais!

R.M: - A Senhora comete erros em seu trabalho?

Senhora: - Não! Meu trabalho é muito sério!

R.M: - O que a Senhora recomendaria para as pessoas viverem mais tempo? E demorar muito para encontrá-la?

Senhora: ( Ela deu uma gargalhada sonora! Eu estremeci) - Minha missão não é dar conselhos. No entanto, minha cara, para viver muito tem que haver bom humor e muito desapego. Estes sentimentos que pululam na Terra estão dando mais trabalho para mim, sabe. Violência, ódio, egoísmo, ausência de valores morais e espirituais... As armas.. Eu não gosto das armas, porque elas estão me dando muito trabalho. Elas ferem e podem matar o homem! As drogas estão me preocupando, porque, às vezes, tenho que chamar jovens... antes da hora, por causa dessas drogas. O mundo tem fazer alguma coisa... a respeito disso. Os jovens têm que amadurecer e ter uma vida saudável.
 
R.M: - Tem alguma experiência curiosa para contar?

Senhora: - Claro! Conheço uma velhinha que me chama diariamente... Todos os dias ela me chama... Diz que já viveu muito e quer embora.


R.M: - Por que não atende seu pedido?

Senhora: - O Patrão lá em cima.. disse que ainda não estava na hora dela.

R.M: - Quantos anos ela tem?

Senhora: - 96 anos. Esta velhinha quer reencontrar o marido falecido. Eu já o levei desse mundo faz dois anos. Agora, ela quer partir de qualquer maneira!

R.M: - A saudade dói. 

Senhora: - Cada um chora a morte do seu ente querido. A vida é assim e eu prossigo fazendo meu trabalho.

R.M: - Qual é a morte que a Senhora acha que é a mais penosa?

Senhora: - Difícil dizer, minha cara. No entanto, sofre mais aquele que tem muito apego às coisas materiais, às pessoas... Não estou falando de amor, mas de apego.. As pessoas não podem levar nada da Terra.. e isso ..na hora de morrer é sofrido.

R.M: - Tenho que pagar contas, trabalhar. Preciso comer.. enfim, não podemos viver só de rezas e desapego.

Senhora: - Não seja infantil! Você sabe do que estou falando. Vivam sem pensar muito em mim... mas , pensem um pouquinho em mim! Fazer fortuna, guardar dinheiro.. jóias pode ser muito bom, mas na hora H não passa na minha Alfândega- ela deu de ombros.- Caixão não tem gavetas, minha cara.- Eu me arrepiei toda.

R.M: - A Senhora é bem rígida, não?

Senhora: - Cuidado com a mala que vocês querem carregar!

R.M: - Vamos para o andar de cima com as mãos vazias?

Senhora: - Sim, mas podem levar outro tipo de mala.

R.M: - Qual?

Senhora: - Boas ações, amizades, amor, fraternidade. Auto-aprimoramento. Conquista das virtudes. As malas de sentimentos são leves. Não pesam, agregam! Numa noite de lua Cheia, chamei um velho senhor. Era uma casa pobre e seus filhos o velavam conformados. Ele estava no leito há alguns dias e já esperava por mim, sabia? Dentro da casa, havia muita gente. Muita gente que ele havia ajudado e amparado.

R.M: - Como ajudou as pessoas se era pobre?

Senhora: - Ele era uma espécie de conselheiro naquela vila. Ajudava do próprio bolso os mais pobres do que ele.Quando eu cheguei ele sorriu e o quarto se encheu de luz.

R.M: - A Senhora tem Luz?

Senhora: - Não, minha cara. A Luz era dele, das boas ações.

R.M: - Que morte bonita!

Senhora: - Não fale mais ... assim.. M-o-r-t- e. É uma passagem, uma espécie de viagem. Melhor brincar, falar da passagem com bom humor. Igual ao Robby Willians naquele filme PACH ADAMS e alguma coisa que não me lembro agora. Morrer é : passar dessa para melhor, apagar, desencarnar, vestir a mortalha, abotoar o paletó, ir para o andar de cima, mudar de dimensão, bater com as dez e por aí vai! Bem, está na minha hora!( ela quase deu um sorriso mortal!)

R.M: - O que? - A Senhora quis dizer sua hora, não é? - perguntei assustada. E arrisquei uma última pergunta:

R.M: - O mundo está triste porque perdemos Michael Jackson, um grande astro pop! Por que ele foi tão cedo? Logo quando anunciava sua volta aos palcos! E agendara muitos shows! A senhora pode esclarecer o desencarne prematuro de Michael Jackson? - arrisquei.Ela pensou durante alguns segundos que para mim pareceram eternos. Ansiosos.

Senhora: - A partida sempre chega mais dia , menos dia. Não importa o que se esteja fazendo. Mas podemos estender nossa estada na Terra ou abreviá-la. Depende de como cuidamos do corpo e do espírito. Ele partiu mais cedo para se preparar melhor. Deus é a sabedoria absoluta! O que ele precisa agora é de muitas preces e da energia positiva dos fãs. - ela explicou.


Eu engoli em seco e aquela estranha Senhora transfigurou-se. Transformou-se em um clarão brilhante e desapareceu na noite!

Eu ,tão cedo,não quero reencontrá-la. Você também, acredito que não! Tenha uma vida boa e Relax Mental para vocês!



Sandra Cecília

 

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