Cantinho da Leitura - 25/07/2006
Amor não correspondido 2 (continuação)





As mãos frias. Eu me aproximei do telefone. A desalmada. Desavergonhada. Torturadora. Seria ela mesmo? Longa ausência. Frieza. Desprezo. Ela queria voltar. Será?

Dois longos minutos passam. Como se fosse uma eternidade.

Eu atendi o telefone:

- Alessandro, é você?- perguntou Ângela com voz rouca. Sumida. Triste.

- Sim.- respondi com voz trêmula. Misturada aos sentimentos desordenados, confusos. O tempo parou. Só a voz rouca da Ângela. Lembrei-me da sua boca carnuda, dos beijos. O passado. O rompimento.

- Estou sozinha, Alessandro. Chove muito. Está trovejando. Sinto medo... Venha para cá, por favor!- quase implorou. Eu conhecia aquela voz súplice. Conhecia aquele jeito de criança abandonada. Não era a desalmada Ângela. Era uma criança com medo de trovão? Uma mulher com voz melosa. Sentimentos escondidos. Feitos de mil intenções. Eu, Alessandro Alves, conhecia a manha daquela mulher. Seu egoísmo. No entanto, seu lamento fingido me atiçava. Hum, me excitava muito!

Dois longos minutos se passaram. Dor e raiva. Saudade e paixão. Desespero. Desejo.

Diria sim? Ou não? Precisava dos abraços dela... Dos beijos, do seu corpo. Queria possuir tudo, até sua alma. Tudo!

Dois minutos, dois séculos.

- To indo, meu amor... to indo...- afirmei com a alegria de uma criança. Uma criança que namorava o doce da vitrine. Agora, o doce estaria ao meu alcance? 

Desliguei o telefone. A chuva estava passando? A dor passaria? Faria parte do rol dos apaixonados felizes? Não sabia. Queria apenas fazer amor com Ângela. Depois, quando a chuva passasse..estaria curado. Ou não? Saí ao encontro da minha amada.

Fizemos amor e a chuva caía através do vidro da janela. Parecíamos dois pombinhos apaixonados. A cama estava quente e a taça de vinho quase vazia. Ângela adormeceu nos meus braços. Era sempre assim. Quando essa mulher misteriosa se lembrava dos medos infantis... pensava em mim.

No entanto, eu não queria pensar nisso. Queria relembrar a fúria dos nossos corpos com fome. Não pensaria mais no futuro. Viveria aquela paixão até que esgotasse o cálice...

Alessandro Alves


Sandra Cecília

 

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