Entrevistas - 24/08/2006
Entrevista com o ator e vereador Cláudio Cavalcanti






Nosso Site Relax Mental recebe o ator e homem público Cláudio Cavalcanti como entrevistado. 50 anos de carreira como ator ainda esse ano, tendo sido eleito em 2000 vereador pela cidade do Rio de Janeiro. Reeleito em 2004, abraçou a causa da defesa dos animais.

--Como se sente hoje, Cláudio Cavalcanti, como ator de televisão e teatro? E como homem público ?

Como ator, realizado e ainda com vontade e intenção de realizar muito mais. O teatro é meu oxigênio. Televisão, infelizmente, é impossível conciliar com o horário de trabalho na Câmara. Mas sinto muita falta e dói cada vez que tenho que recusar um convite .

--Seu papel, um dos principais na novela "A Viagem" (TV Globo), de um médico espírita - Doutor Alberto, repercutiu significativamente entre os telespectadores. Até que ponto o personagem se identifica com o homem ?

Completamente. Dr. Alberto é um personagem direcionado para o bem, para a compaixão. São esses sentimentos que formam o tecido social sadio . Sem eles a sociedade se desintegra.

--Professa alguma religião específica ? Acredita na reencarnação, na pluralidade das existências?

Costumo dizer que meu deus tem quatro patas; ou que o animal é a minha pátria. Minha religião é o outro. O respeito pelo outro.

--Atuar como o personagem de um médico espírita, trouxe-lhe alguma mudança na visão das coisas e do mundo ?

A percepção de como as pessoas estão carentes de esperança. Estamos vivendo um tempo de desesperança. De desintegração. Acho que os animais são os seres destinados a religar as pessoas. O sentido etimológico da palavra religião (Re - ligião) é religação. Vem de religare, em latim. É isso que eu penso dos animais. Através deles a humanidade poderá salvar o planeta, como digo no texto introdutório do meu site. Aliás, só através deles e mudando radicalmente a postura que se tem com eles.

--Atualmente está atuando em alguma peça de teatro ou tv? Algum sonho de realização na carreira artística que você ainda não alcançou?

Terminamos uma temporada de 2 anos com a peça "E agora o que faço com o pernil" agora, em junho. Fizemos Rio, S.Paulo capital, interior de S.Paulo e quase todas as capitais do Brasil. É possível que ainda este ano a peça volte ao cartaz no Rio. Tenho inúmeros planos para teatro. Entre eles a montagem de uma peça de minha autoria. Quanto à televisão, como expliquei, só quando encerrar meu mandato. Tenho muita vontade de ter um programa meu, meu e de meus bichos.

--Pela data de seu nascimento, 24/02/40 (Peixes), evoca o número-mestre 22 como número de lição de vida. Grande parte das pessoas que tem um número-mestre em seu numeroscópio tem uma missão especial. Missão do 22: o construtor - aquele que veio a Terra para tornar o mundo melhor do que está.

Espero estar fazendo jus. Ainda não fui iniciado em numerologia, que acho interessantíssimo. Não sabia desse detalhe referente á minha data.

--No ano de 2000, elegeu-se vereador pela cidade do Rio de Janeiro. Muitas leis foram aprovadas, mas também foi muito criticado. É possível traçar um paralelo entre a Arte e a Política?

É. E muito claramente. Enquanto ator, você é querido, mimado, fala ao público através da ludicidade; Enquanto político, a relação com o público se estabelece sempre através de temas que geram, vão gerar ou geraram conflitos. Áreas críticas de opinião. A boa política seria o elemento que possibilitaria a vida democrática, harmonizando os conflitos e fazendo prevalecer à vontade da maioria. Mas, na lama em que se encontra a política brasileira, qualquer político é culpado até que prove o contrário.

--Quando começou a se preocupar com os animais e abraçar essa causa? Acha que vale a pena lutar pelos animais? Pela defesa dos animais, o que está faltando? E quanto aos obstáculos ?

Comecei desde que me entendo por gente. Sempre me identifiquei com os animais antes de ter consciência. Queria ser cavalo quando crescesse. Treinava para ser cavalo até que meu pai me convenceu que seria um pouco difícil. Quanto a valer à pena, não tenho escolha. Para mim, é uma inevitabilidade: não posso não defender os animais. Não conseguiria. Para uma defesa dos direitos dos animais efetiva, falta apenas a vontade política dos governantes. O resto todo já existe. Qualquer ser humano com psiquismo normal se compadece dos animais quando toma consciência do sofrimento deles. Alguns já nascem com essa consciência. Foi o meu caso. Outros aprendem. Só os de comportamento desviado se mantêm cruéis para com os animais. E quem é cruel para com um animal é cruel para como qualquer ser mais fraco do que si mesmo, seja ele criança, velho, doente, ou simplesmente mais fraco...

--Através do seu site percebemos que a causa dos animais lhe deu muita satisfação íntima. Quais os animais de sua predileção? Lembra-se de algum episódio na sua infância relacionado com animais de estimação?

Episódios relacionados com animais ? Não caberia em uma entrevista. Minha vida se confunde com a dos animais com que me deparei. Até minha mulher, meu grande amor, conheci numa reunião da elite dos defensores dos animais . Nesta reunião estavam Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz, Nise da Silveira, Lya Cavalcanti, entre outros pesos-pesados da intelectualidade brasileira.
As leis que consegui aprovar me dão uma profunda esperança . Dão-me a certeza de que, apesar de tudo, ainda será possível um mundo em que a harmonia e o conflito se mantenham no nível de equilíbrio necessário à evolução.


--Ver alguém maltratando um animal é muito triste. Que melhor atitude se pode tomar neste caso, sabendo-se que há leis que não são respeitadas?

Interferir. Tentar impedir. Denunciar. Fazer valer os direitos de cidadania perante a força policial. Como diria Nise da Silveira "puxar da peixeira simbólica que todos temos na cintura". Decorar a legislação vigente e recitá-la para o delegado que prevaricar na hora de lavrar um boletim de ocorrência. Não ter medo. Crueldade contra animais é crime previsto por lei. Nossa constituição determina ser função do estado a defesa dos animais. Basta ter isso em mente e na ponta da língua. Cabe aos cidadãos pressionar para que as leis sejam cumpridas.

--Falando um pouco sobre seus gostos, qual estilo musical de sua predileção ?

Gosto de tudo. Basta que seja boa música. De Schubert a Roberto Carlos, com destaque especial para Chico e o concerto para violino de Beethoven.

Seu hobby e cor predileta ?

Cinema (em casa: no dvd. Sou colecionador) e azul.

--O que gosta de fazer nas horas de lazer ?

Ler, ler, ler, ficar em casa, assistir a meus filmes prediletos, reler as obras que mais gosto, ler, ler e ler. Gosto também de escrever. Pretendo publicar meu 5º livro em breve.

--O que lhe deixa estressado e nervoso ?

Impontualidade. Definitivamente, impontualidade.

--Virtude mais apreciada e o pior defeito ?

Virtude: a compaixão . Defeito: o cinismo, que é a maldade fundamentada.

--O que pensa sobre a violência no Brasil e o crime organizado?

O óbvio: desgoverno.

--Como político, qual é o seu maior objetivo ?

A defesa dos direitos dos animais.

--Descreva Cláudio Cavalcanti numa só frase.

Numa não dá . Aí vão 3 dos epitáfios que escolhi para mim:

Aqui jaz Cláudio Cavalcanti que não estava na deles.
Aqui jaz Cláudio Cavalcanti, um homem que tentou.
Aqui jaz Cláudio Cavalcanti, um homem que defendeu.
os animais e que (parafraseando José do Patrocínio),
teve por eles um respeito egípcio .




--Gostaria sinceramente de lhe agradecer pela oportunidade dessa entrevista. E acredito que você possa continuar sua missão maravilhosa de proteção e defesa dos animais. Obrigada!

Sou eu quem agradece. Cláudio Cavalcanti.



www.claudiocavalcanti.com.




















Sandra Cecília

 

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