Relacionamento - 13/09/2006
A raiva no relacionamento amoroso


A raiva no relacionamento é uma questão importante a ser considerada. Viver bons sentimentos numa relação é prazeroso. Conviver com a paixão, companheirismo e amor fortalece o casal. No entanto, o amor é uma caixa de surpresas. Por que? Por que o outro é o outro. O outro não é você. Individualidade com sentimentos próprios. Não há como controlar as atitudes de um ser humano. Pensamos pela nossa lógica e esperamos que a pessoa amada se comporte como desejamos. Quando isso não acontece, vem a frustração. 

A ira pode ser um hábito arraigado para obter o que você deseja da pessoa amada. Assim, quando você fica zangado, espera convencer o outro a mudar seu comportamento. Comportamentos de raiva começam na infância. Quando a criança é contrariada, tem acessos de raiva (birra) para conseguir o que deseja. Se ela consegue o que deseja, quando fica zangada, inicia-se o hábito da raiva. Mas, afinal, a raiva pode ser eliminada do seu comportamento? Acredito que sim. No entanto, se você ainda não consegue viver sem ela, procure administrá-la para que não atrapalhe seu relacionamento a dois.

E quando sentimos raiva do companheiro? No fundo, algo nos contrariou, nos decepcionou ou traiu nossa confiança. Em alguns momentos, o companheiro pode ser um espelho que reflete nossos piores defeitos. O defeito dele incomoda, porque também está dentro de nós.

Quando a expectativa sobre o outro é muito alta, podemos nos decepcionar e sentir raiva da pessoa amada. Sonhe alto, tenha esperança, mas modere sua expectativa. Se ele diz que não está pronto para um compromisso mais sério, aceite. Sua raiva não vai provocar a mudança no comportamento dele. 

Uma traição pode gerar raiva e desapontamento. No entanto, é uma oportunidade para sua reflexão. Trabalhe a raiva no sentido de auto-avaliação. Como tem sido seu relacionamento? Será que você também não colaborou de alguma forma para o desgaste da relação? Uma vez passada a raiva, poderá recomeçar tudo do zero? A raiva por si só não tem nenhuma utilidade no restabelecimento da sua relação amorosa. Ela é um termometro de contrariedade, da expressão de sentimentos de desconfiança e decepção.

E por que não trabalhar a sua autoconfiança, a fim de suprimir a ira em sua vida? A raiva enfraquece sua saúde e não ajuda em nada! No entanto, você pode se perguntar: "Ah, mas se eu engolir a raiva posso ter uma doença grave ou um ataque do coração!" Melhor a raiva expressada do que reprimida. Ira reprimida se transforma em ódio e ressentimento. Esses sentimentos negativos podem acabar com seu relacionamento. O melhor mesmo é tirar a raiva do seu vocabulário. Existem outras formas de trabalhar as dificuldades no convívio a dois. A raiva é paralisante! Sinal de descontrole da sua área emocional. 

Pessoas muito egoístas, voltadas apenas para si mesmas, tendem a ser muito exigentes. Qualquer atitude não esperada do companheiro é fonte de mágoa ou raiva. O homem ou mulher que ama uma pessoa egoísta sempre vive pisando em ovos. Essas pessoas não cedem e geralmente não toleram ser contrariadas. O mundo tem que girar à sua volta. 

Amor a dois é convívio. Um bom convívio precisa de respeito, perdão e flexibilidade. Em algum momento, você vai entender que o outro também é falho que nem você. Tem defeitos e qualidades. Há pessoas que acumulam ressentimentos, porque não resolvem esta questão. Fingem que está tudo bem. De repente, algo acontece e elas devolvem o sentimento ruim: "Naquele dia, na casa de amigos, você gritou comigo e me fez passar vergonha. Está lembrado? Você me ofendeu com palavras ásperas". Por que desenterrar acontecimentos que já fazem parte do passado? 

Na hora da discussão, procure se controlar. Quando um não quer, dois não brigam. Respire fundo e assuma o controle das suas emoções. A raiva é uma emoção que precisa ser domada, não reprimida. Há muitas formas de comunicar sua raiva sem ofensas, sem criticar o parceiro. No tom de voz ameno você pode comunicar seus sentimentos: "Estou com raiva de você. Suas palavras foram ásperas". Reprove o comportamento e não a pessoa amada. Não tome decisões importantes na hora da raiva. Atitudes impulsivas, na hora de grande emoção, levam a comportamentos precipitados. Passada a raiva, você se arrependerá da atitude tomada. E poderá ser tarde demais. Palavras duras, ásperas, ofensas graves podem destruir um relacionamento. Gritar com a pessoa amada na hora da raiva, não resolve os problemas. Quando ela estiver gritando, experimente falar num tom bem mais baixo. A pessoa ficará desconcertada e a discussão poderá até acabar. Lembre-se do ditado chinês: "Três coisas não voltam atrás: a flecha atirada, a palavra proferida e a oportunidade perdida".

Aprenda a controlar suas emoções e a agressividade na hora da raiva. Sentimentos passionais provocam, às vezes, grandes tragédias. Pare para pensar um pouco. Deixe para conversar sobre o assunto em outro momento. A raiva pode ser usada como desculpa para comportamentos indesejáveis: "Estava com raiva naquele dia. Perdi a cabeça e, por causa disso, dei um chute na porta". Assim, você se reserva o direito de se desculpar, porque na hora da raiva estava praticamente "fora de si". É cômodo não se responsabilizar por suas atitudes. E para o outro, você acaba revelando o quanto é instável. Assuma a responsabilidade por seus atos. 

Num relacionamento a dois, a tolerância e o perdão devem fazer parte do amor. Quando o relacionamento é maduro, há compreensão na hora das dificuldades. O ser humano erra muito, mas também acerta. Erra, mas se arrepende também. Perdoe a si mesmo e perdoará a pessoa amada. Lembre-se! Todos nós temos os nossos limites. Se você sabe que determinadas atitudes magoam o seu namorado, porque teima em repetir o comportamento? Um dia, ele poderá se cansar e ir embora. Se você sabe que precisa reformular algumas atitudes e ser mais tolerante, por que não tentar o auto-aprimoramento?

Provavelmente, ninguém esquece uma briga ou uma ofensa. As marcas podem ficar para sempre. Mesmo assim, o sentimento ruim de raiva, o ressentimento e o ódio podem ser amenizados com o tempo, pela ação do amor e do perdão. Perdoar é saudável. 

Mesmo que você decida não continuar o relacionamento devido a um acontecimento grave, perda da confiança, faça um trabalho consigo mesmo de perdão. Perdoe... E deixe fluir. Livre-se desta emoção ruim! Solte-se! 

Seja como um rio que naturalmente muda seu curso de acordo com a terra, as pedras e os obstáculos. Uma pessoa cheia de melindres vive brigando no relacionamento a dois. Fica magoada o tempo todo. É preciso trabalhar a auto-estima, os erros vivenciados em relacionamentos do passado. 

Amar e sonhar pode ser muito bom! Mas, conviver com alguém também significa conviver com seus defeitos, seu passado, sua estrutura psicológica e sua maneira própria de ver a vida. Não é fácil! Não é fácil sair do ego, expandir sua individualidade e compreender o outro. Difícil, mas gratificante. Conviver a dois não é anular suas próprias individualidades, sua personalidade, mas aprimorá-las para viver uma relação madura e gratificante. Tenha fé no seu relacionamento. Confie na pessoa amada. A confiança restabelecida é uma âncora poderosa nos momentos de briga, desentendimento e raiva.

Guardo de uma terapeuta uma colocação muito propícia: "É preciso ver o ser amado com olhos da prosperidade..." Pense nisso! Ver as qualidades, os gestos bons, enfim, ser flexível o bastante para perdoar e recomeçar!





Sandra Cecília

 

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