Entrevistas - 17/10/2006
Entrevista imaginativa com o Professor André, nosso mentor .






O BEM E O MAL


Uma idéia muito clara e forte surgiu no site Relax Mental. Alguém que pudesse abordar questões pouco conhecidas, mas que partisse de outro plano, de outra dimensão, tal que não argumentasse como nós , pequenos seres humanos. Seria uma fonte de saber para nos dar respostas as perguntas:

"Por que nascemos?" "O que viemos fazer?" , "Para onde vamos?"A imaginação poderia ser a porta de entrada, através da qual encontrasse alguém que me pudesse explicar sobre esses assuntos. E, pela imaginação, encontrei-me com um ser, que chamarei de Gabriel, ao caminhar por uma praia deserta de águas cristalinas. Ao longe, o borbulhar das ondas e a cor do mar. Uma sensação de paz e plenitude me invadiu.

Era um senhor magro, alto, rosto simpático, de voz suave, porém de ar grave. Havia nele uma superioridade intelectual e espiritual muito forte. Em torno dele, pressenti um halo de luz esbranquiçada. Com um olhar sereno e acolhedor se aproximou. E me acompanhou, caminhando pela areia úmida até chegarmos a uma casinha muito simples caiada de branco. Ele entrou e eu o acompanhei. Dentro da casa, havia uma mesa e apenas duas cadeiras . Alguns livros estavam em cima da mesa. Gabriel me convidou a sentar. Eu lhe dirigi algumas palavras:

"O senhor é daqui?"-perguntei. Fitou-me sem dizer palavra. "Desculpe-me se lhe perguntei pelo nome, onde vive, se gosta daqui e outras tantas perguntas corriqueiras."- disse, percebendo que ele aguardava pacientemente sua vez de falar.

Eu me sentia um tanto apreensiva. Esta seria uma entrevista imaginativa, algo muito diferente. Meu interlocutor parecia adivinhar meus pensamentos.

"Não tenha receios, eu já a esperava." tranquilizou-me.

"Não importa o nome que você queira me chamar. Afinal, um nome é apenas um sinal. Faz algum tempo que vim para cá, para esta dimensão. Enquanto vivi no plano terreno, exerci a Medicina. Poderia lhe dizer que já estive aqui em tempos diversos. E a cada passagem, renasci tantas outras vezes. Mesmo sendo médico não tinha uma religião definida. Toda a minha dedicação estava dirigida para a vida e para a morte, os males físicos que atingem os seres humanos e, portanto, procurava no campo científico as respostas para meu trabalho..."- concluiu.

"Como este homem viveu? Será que encontrou todas as respostas que procurava? Foi feliz? - perguntas que me ocorreram em pensamento, ao que, em continuidade, me respondia:

"Sim, fui um homem feliz, mas que poderia ter sido mais feliz se tivesse visto a vida por um ângulo mais espiritual. Eu achava, que uma vez , morto, tudo se acabaria. E, sem dúvida, foi um choque para mim saber que ao morrer, continuaria "vivo". Sim.... poderia ter vivido mais tempo, mas por causa de minha imprevidência, acabei encurtando minha vida."- falou pausada e calmamente.

"O senhor se matou?" - perguntei intrigada.

"De certa forma, sim."-respondeu com ar nostálgico.

"Com nossos vícios e excessos de toda ordem, desgastamos nosso corpo físico e podemos perecer antes de cumprir nossos desígnios. Nosso corpo é, de certa forma, nosso templo sagrado enquanto vivemos na Terra. Sim... temos de cuidá-lo física e espiritualmente , mas esquecemos ou desprezamos o que diz respeito à sua parte espiritual. - concluiu.

Muitas indagações martelavam em meu pensamento e eu sabia que ele estava atento. Uma transmissão rápida de pensamentos e idéias. Pensei em como poderia lhe perguntar como distinguir o Bem do Mal. Aquele ser brilhante e, ao mesmo tempo muito simples se adiantou:

O Bem é tudo que está de acordo com a lei de Deus e o Mal é tudo o que dela se afasta. Fazer o Bem é se conformar à lei de Deus e o Mal é infringir esta lei."

Eu me ajeitei na cadeira. Via através da fresta da porta aberta um pedacinho do mar. As ondas estavam fortes, mas sentia um grande bem estar. Sabia que não havia muito tempo,mas eu tinha tantas perguntas! " Professor Gabriel, o desejo do Mal é tão repreensível quanto fazer o Mal?" -
perguntei.

Uma lembrança dos meus tempos de escola veio à minha mente. Achava que uma professora do colégio não gostava de mim e tive um desejo de vingança. Colocaria em sua bolsa, uma barata viva. No entanto, só ficou no desejo. Ruborizei, porque o professor havia percebido todos os meus pensamentos. Que vergonha!

Ele sorriu e disse:

"Há virtude em resistir voluntariamente ao mal que se sente desejo de praticar sobretudo quando se tem possibilidade de satisfazer esse desejo, mas se o que faltou foi apenas a ocasião , o homem é culpável."

Refleti sobre a resposta. Era muito interessante conversar com aquele ser, porque não precisávamos de articular sequer uma palavra. Era algo parecido como uma transmissão de pensamento. Pensava na pergunta e vinha a resposta. Difícil explicar para vocês.... Bem, mas a influencia daquele ser era benéfica e tranquilizante..

"Há pessoas que, por sua posição, não tenham possibilidade de fazer o Bem? "

Pensei em uma amiga que sempre dizia que desejava ganhar na Mega Sena para ajudar todo mundo. Sentia-se inútil por não possuir recursos para ajudar as pessoas. Professor Gabriel ficou um pouco sério.

"Não há ninguém que não possa fazer o Bem, somente o egoísta não encontra ocasião de praticá-lo. É suficiente estar em relação com os outros homens para se fazer o Bem, e cada dia da vida se oferece essa possibilidade a quem não estiver cego pelo egoísmo porque fazer o Bem não é apenas ser caridoso mas ser útil na medida do possível sempre que o auxílio se faça necessário."

O professor sorriu.. Minha amiga precisava saber sobre isso. Ela era muito meiga e prestativa. Sempre gentil com as pessoas, solícita e prestativa. Não é necessário que sejamos ricos para fazer o Bem. 

Gostaria de saber sobre a reencarnação. Alguns acreditam outros não. Vidas sucessivas.

"A alma tem muitas existências no corpo carnal?" -

perguntei. Professor André lançou um olhar para a porta. Seu olhar parecia longe e cheio de recordações:

" Sim, nós temos muitas existências. A cada nova experiência o espírito dá um passo na senda do progresso; quando se despojou de todas as impurezas não precisa mais das provas corpóreas."

Pensei preocupada:

"Quantas vidas ainda seriam necessárias para que eu me livrasse de todas as impurezas?"

O professor olhou para mim com ar risonho:

"Não se preocupe com isso. Viva seu momento. A preocupação não é uma boa conselheira. Procure fazer tudo ao seu alcance para o auto-aprimoramento. Não fique pensando tanto no futuro.."

Parecia adivinhar meus pensamentos. Refleti sobre as almas bondosas e as ditas perversas. Ex: a alma de um criminoso serial killer.

"A alma de um homem perverso pode transformar-se na de um homem de bem?"- perguntei.

Sim, se ela se arrepender e então será uma recompensa."

Havia tantas perguntas a fazer. Uma série de indagações e dúvidas. Muitas e muitas dúvidas. Pensei:

"O que é alma durante o período entre as encarnações?" O que a gente faz quando está do lado de lá?

Ele, prontamente, esclareceu minha curiosidade:

" A alma é espírito errante, que aspira a um novo destino que a espera."

Professor André olhou para a porta. Na areia , vimos um siri correndo naquele seu jeito característico e espevitado.

"Vê o siri? Ele cumpre sua função na Terra. Cada ser neste planeta cumpre sua missão. Quando o homem volta à dimensão espiritual através do desencarne(morte) ele continua vivo. É a vida em outro plano. Não fica parado. Nesta dimensão, ele pode aprender várias coisas e se preparar para novas vidas."

Pensei na felicidade almejada por todos os seres humanos. Às vezes, ela parece inacessível e foge como um bicho do mato. Vivemos à procura da tal felicidade. Acho que estamos procurando de forma errada.. O professor me encarou com seriedade. E senti novamente aquela sensação de que ele havia percebido tudo o que eu havia pensado:

A completa felicidade prende-se à perfeição, isto é, purificação completa do espírito. Toda imperfeição é, por sua vez , causa de sofrimento e privação de gozo, do mesmo modo que toda perfeição adquirida é fonte de gozo e atenuante de sofrimento.

Uma reflexão profunda sobre o significado da vida tomou conta do meu ser. Nós somos os responsáveis por nossa felicidade ou pelo sofrimento. Somente nós!

" Como é a vida neste plano espiritual? A gente morre e já começa a se sentir feliz? Ficamos perto dos anjos, seres de luz?"- senti dentro de mim uma imensidão de dúvidas.

"Ninguém se torna perfeito, porque morre. Se o homem de bem morre, continua sendo um homem de bem. Se um homem perverso morre, não se torna bom, só porque passou para esta dimensão. Só temos o que merecemos. Assim como, um ladrão vai preferir a companhia de outros ladrões, um homem de bem escolherá companhias afins. E não basta apenas o arrependimento. Ele é o primeiro passo. O segundo é agir em conformidade com as leis divinas, transformando-se.... dia a dia. Não é fácil, mas conseguiremos".

O mentor sorriu.

" Nós não ficaremos para semente." - pensei, um tanto assustada. "A morte é a única certeza da vida."

Professor André continuou:

"A morte não existe. É apenas uma passagem. Todos os amigos e parentes que já morreram continuam vivos nesse plano."

Fiquei vermelha. Tinha uma forte curiosidade: "Será que ao morrer, no plano espiritual precisaremos comer, tomar banho? Os espíritos praticam sexo?" 

O espírito amigo emitiu uma luz azul. Absorto em suas reflexões me explicou:

" Quando o espírito se desliga da matéria não deve mais sentir as necessidades terrenas: comer, tomar banho, respirar, fazer sexo. Isso faz parte da matéria. No entanto ,assim como o bebê esquece a chupeta à medida que cresce, o ser humano também aprende a viver no plano espiritual. Desapega-se de tudo o que é relativo à carne. Algumas pessoas quando morrem ainda sentem vontade de fumar um cigarro, beber ou mesmo fazer sexo. No entanto, aqui isso não é mais possível, o que é fonte de sofrimento para aquele que está apegado aos vícios terrenos. A sexualidade é energia. Todo o desejo começa no pensamento. Aqui há formas mais sublimes de se trocar energia entre duas almas que se amam. Mais tarde, voltaremos a estes assuntos."

Naquele momento, outra curiosidade. Será que André havia sido um bom médico na Terra? Mal formulei a pergunta e o generoso professor veio com a resposta:

" Acredito que estudei bastante e exerci a medicina de forma ética. No entanto, talvez eu devesse ver o ser humano de forma mais holística.O homem não é somente matéria. A maioria das doenças começam no espírito."

Senti que precisava voltar para minha dimensão. Que pena! Havia tanto a perguntar.

"Calma, menina. Tudo tem seu tempo. Estarei sempre aqui quando precisar."

Seus olhos brilharam.

Eu precisava encerrar a entrevista:

"Professor André, deixe uma mensagem a todos os internautas que acessam o site." - pedi.

"Claro! Gostaria que todos aproveitassem o máximo a vida no Planeta Terra. Aproveitassem cada minuto de vida, com bons pensamentos e atitudes voltadas para o Bem. E, a cada acerto, será uma vitória. Quando cair, sacudir a poeira e se levantar novamente."

"E se a pessoa estiver sofrendo muito com a perda de um ente querido...? O que o senhor falaria para uma pessoa que estivesse sofrendo?"

"Os sofrimentos terrenos são passageiros. As dores não duram para sempre. Pensar em Jesus, orar... fazer uma prece singela ajuda bastante. Há sempre um amanhã vitorioso."

"E se a pessoa não tiver religião? E se for um ateu?"

"A felicidade, um dia virá para todos, independente de raça, credo ou religião. Mesmo que a pessoa não acredite em Deus, a saída para os obstáculos virá, desde que ela se volte para sua própria essência. O sofrimento desperta o homem para novos caminhos. E se a pessoa escolher o Amor em vez do sofrimento, encontrará sua essência divina. Amar muito, esperar e trabalhar... em prol de si mesma e dos outros. E a Morte é apenas uma passagem. Quem perdeu algum ente querido, não se desespere. Está no plano espiritual e precisa de suas preces. Um dia todos nós, reencontraremos nossos afetos. A paz íntima e a consciência tranquila é um grande refrigério nas horas difíceis. E se você errou , tente de novo."

Não sabia como me despedir daquele ser , mas não foi preciso. Ele impôs suas mãos sobre mim e senti um banho de luz intensa. Logo depois, desapareceu no ar como um jato de luz.
Aguardem, porque o Professor André voltará.


Bibliografia: Livro dos Espíritos - Allan Kardec. Tradução de J. Herculano Pires- Editora Lake.- Do Bem e do Mal- página 225. ( Estão em cor vermelha e azul perguntas e respostas referentes ao Livro dos Espíritos.

Frases em vermelho: Tiradas na íntegra do Livro dos Espíritos- Allan Kardec.

Frases em negrito: respostas do professor.



Fotos de Ricardo Monteiro

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Sandra Cecília

 

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