Cantinho da Leitura - 18/01/2007
Mini- conto: O bode preto






O Zé, 52 anos, caminhoneiro, gostava de fazer sua fezinha no jogo do bicho. Ficou uma semana inteira sonhando com um bode preto cheio de chifres. Contou para esposa Maria. Ela sugeriu o jogo no número da cabra ou do touro. O Zé jogou. Estava precisando de grana ! Insistiu na cabra e no touro. Nada! O vendedor de bilhetes vaticinou: "Deu burro, Zé!"

O vendedor perseverante deixou o tempo passar. Esqueceu o bode preto. Uma tarde, encostou o caminhão num posto de gasolina na beira da estrada. Quando desceu do caminhão , lá estava um bode preto com um chifre avantajado:

- Ah, não!- pensou o caminhoneiro coçando a barba por fazer. Jogou no número da cabra novamente durante 3 dias. Não acertou. Insistiu. Deu burro novamente. Ficou com raiva e parou de jogar.

Uma tarde, cansado e indisposto , voltou pra casa mais cedo. Adiou a viagem para a Bahia. Gritou do portão:

- Maria, cheguei!- e foi logo entrando.

Silêncio! Quando chegou ao quarto do casal, lá estava Maria completamente nua, enrolada num lençol. Um rapaz jovem e forte saiu da cama com as calças na mão. O amante, rosto lívido, respiração opressa, saiu do quarto rapidamente. Como um corisco. Escafedeu-se!

Maria balbuciou com voz trêmula:

- Ah, Zé! Não é nada disso do que está pensando! Eu posso explicar!

Zé deu meia volta , enxugou o suor do rosto e saiu de casa. Saiu da vida da Maria. Passou no ponto do Jogo do Bicho e jogou no Burro.


Sandra Cecília

 

Copyright © 2003-2009 Relax Mental
Sandra Cecília / Renato Augusto - Relax Mental - desde 13 de junho de 2003