Cantinho da Leitura - 20/01/2007
Mini-conto: Maria casamenteira




Maria, 25 anos, moçoila romântica e sonhadora. Sonho maior : príncipe encantado, casamento na igreja com véu e grinalda. Devota de Santo Antonio. Durante um ano inteiro, rezou para ele pedindo um marido: tinha que ser um moço bonito e de boa situação financeira. Veio o Joaquim, bonito, de carro do ano, mas muito mulherengo. Não podia ver um rabo de saia que ficava todo assanhado.

A jovem mudou de santo. Começou a rezar para Santo Expedito: queria um homem bom e alegre. Não precisava ser bonito. Apareceu o Manoel, bonachão, alegre e faceiro. Mas não trabalhava. Ficava na casa dela o dia todo, balançando na rede.

Maria não desanimou. Fez outra novena para o santo: pediu um homem que não precisava ser bonito, nem de boa situação financeira, mas trabalhador. Apareceu o Zé , um trabalhador incansável. Trabalhava de segunda a domingo, sem descanso. Mãos calejadas construíam casas. Econômico. Prático. No entanto, não era carinhoso , nem romântico. Ela quase não o via, porque ele só pensava em trabalho.

Maria comprou mais velas e fez outra novena para o santo. Rezou para seus dois santos preferidos: Santo Antonio e Santo Expedito. Pediu apenas um homem carinhoso e romântico. Entrou em sua vida, o João Poeta. Todas as noites, ele fazia serenata para Maria com seu violão desafinado. Toda santa noite. Poesias. Bilhetes românticos. Cartas apaixonadas. No entanto, ele não falava em casamento. Não parava em emprego.

A moçoila romântica ficou desconsolada, mas não perdeu a fé nos santinhos: "Os santos estão cansados! Coitadinhos, não estão conseguindo um marido adequado para mim. Vocês devem estar muito estressados lá em cima..." - pensou com tristeza. Desistiu das novenas e de pedir marido para santo.

Um dia, alguém bateu à sua porta. Abriu. Viu uma linda cestinha com um cãozinho branco. Na cesta um bilhete: "Sou o Veludo. Preciso do seu carinho. Sou amigo, companheiro e muito alegre."

Maria pegou a cesta e ficou feliz da vida com o Veludo. Alguns anos depois , enquanto passeava com Maria, Veludo escapou e saiu correndo atrás de Laika, uma cadela vira latas que passeava com seu dono. Maria saiu correndo atrás do seu cachorro. Alcançou o Veludo. Ele fazia festa para Laika.

A moçoila romântica espichou o olhar para o dono da Laika e viu um rapaz claro, baixo e sorridente. Os dois entreolharam-se. Amor à primeira vista! Um ano depois , estavam casados.

Todos os domingos, Maria assiste missa e acende vela para seus santos preferidos: Santo Antonio e Santo Expedito.

Maria e Zé Almir, seu marido, tiveram um casal de filhos: Antonio e Maria Expedita.

Acho que foram felizes para todo o sempre!


Sandra Cecília

 

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