Relacionamento - 04/11/2007
Você acha que o amor o deixa mais vulnerável?




Estar apaixonado o deixa mais vulnerável?

Sérgio Savian, terapeuta , afirmou numa entrevista na televisão que o amor deixa as pessoas mais vulneráveis. Quando alguém se apaixona fica mais fragilizado. Essa fragilidade gera medo. Sente que está nas mãos da pessoa amada e, dessa forma, não detém mais o controle dos seus sentimentos.

E, por esse motivo, muitas pessoas se fecham para o amor . Medo de sofrer. Medo de arriscar. Esse medo já não é uma forma de sofrimento? Ficar à margem da vida e não entregar seu coração gera intenso sofrimento. No entanto, as pessoas sentem que, agindo dessa maneira, estão se protegendo. Nossa proteção é um escudo bom, até positivo. Com a maturidade, nossa capacidade de escolha fica mais estável. Sabemos o que desejamos do amor. Mas fazer uma barreira limita a vida e inibe o prazer.

O que fazer? Entregar o coração de imediato? Podemos controlar nossos sentimentos? Acho que não. O sentimento de amar é espontâneo e livre. Ele acontece e nem sabemos o porquê. Não sabemos o momento exato em que começamos a gostar de alguém. Sabe explicar o motivo do nascimento do amor. Por quê? Quando? Como?

  De certa forma, não conseguimos controlar nossos sentimentos mas podemos decidir o que fazer com esse sentimento. A vida vai funcionar a dois. Isso gera responsabilidades. Comprometimento. Dá trabalho. Amar dá trabalho sim! O amor precisa da rega diária.

Existe receita pronta para o amor? Não. Como saber é o momento certo para a entrega do seu coração? Como sentir aquele feeling? Será que é a pessoa certa?

Aquela que o fará feliz. Releia a última frase com atenção.

Não podemos entrar num relacionamento pensando dessa maneira. Como se o amor fosse um sentimento estático. Quem traz felicidade não é a pessoa, mas nós mesmos. Sentir ou não felicidade depende de nós, de como conduzimos nossa vida e nossas escolhas.

Sempre há o lado bom da história . Mesmo através de uma dor profunda ou perda aprendemos. O convívio com o outro é uma verdadeira lição de aprendizagem. Isso nos prepara para um amor mais maduro.

É preciso se sentir pleno. Integrado em seus sentimentos. E, com a auto-estima no ponto. Essa tal de auto-estima ainda é bem instável por causa da nossa instabilidade emocional. No entanto, necessário pelo menos, um equilíbrio nas suas emoções.

O homem tem medo da fragilidade. Ele não admite que é frágil. Frágil diante da morte e dos próprios sentimentos. Vive como se a vida terrena fosse eterna. Vive com medo de viver.

Sentiu muito medo , medo de estar vulnerável ao outro, já começou a sofrer. Ficar nas mãos do outro. Ser dominado. Possuído por um sentimento forte. Encare seus próprios sentimentos e deixe que eles venham à tona. Só assim é possível trabalhar com eles. Moldá-los. A dificuldade é o MUITO. MUITO MEDO, MUITA INSEGURANÇA.

Lembre-se! Amar é uma oportunidade de conhecer outra pessoas. Pense nisso como uma oportunidade maravilhosa de aprendizado. Você escolheu a pessoa. De certa forma, a atraiu.

Nas questões amorosas as pessoas pensam muito em termos de futuro. As expectativas são muito altas com relação ao comportamento do outro. Não é o que ele é, mas o que deveria ser. Ou a ilusão criada do amor ideal. Essa fantasia é que gera muito sofrimento quando a pessoa nos decepciona. Vem as dúvidas:

"Será que vai dar certo?"

"Será que ele está apaixonado também?"

" Ela é a mulher ideal?"

"O que o futuro nos reserva?"

Livre-se dessa ansiedade inútil e viva o agora. O futuro é construído no presente e na convivência. E para conviver bem com o outro, você tem que estar antenado no agora. Jamais no passado. Nem no futuro. E, muito menos, na ilusão. O amor real é o amor forte.

Não pense que o amor é um sentimento parado no tempo. Conheceu a pessoa, amou e ponto final! Cada atitude tomada, cada gesto ou comportamento vai gerar mudanças sutis nos sentimentos. Mudanças que poderão afetar seu relacionamento para melhor ou pior. Viver o amor é saber conviver, ceder, tolerar, aprender. Viver a dois exige equilíbrio na razão e nos sentimentos.

Você, mulher , cuide da sua imaginação quando se apaixonar. Ela será o monitor da sua mente. Se deixar que ela viaje muito, sua expectativa será sempre alta em relação aos homens. E, não estará preparada para a frustração quando perceber que seu homem não é um príncipe , mas um sapo. Um sapo bonzinho,mas sapo.

Aceite a própria vulnerabilidade para se sentir mais forte e seguro. No entanto, saiba que os sentimentos humanos ainda são muito instáveis. Buscamos a perfeição. No entanto, o amor humano ainda é muito imperfeito. Não deixe sua felicidade nas mãos de ninguém.

Aquela tônica da capacidade de ser feliz sozinho é parcialmente correta. Sabemos, pela própria natureza, que o amor traz sensações benéficas que ajudam na obtenção do prazer de viver. É melhor estar junto do que sozinho.

Algumas pessoas falam de boca cheia: "Sou muito feliz sozinho!" Pode atér ser, mas nossa natureza envolve o amor e a troca de afeto.

Não é ruim se sentir temeroso ou frágil diante de uma grande paixão. O que produz dolorosa ansiedade e insegurança é negar seus próprios sentimentos. Evitá-los é estar à margem da vida.

Viva o medo de amar em toda sua extensão. Sinta-o profundamente para deixá-lo no ponto certo. O medo é proteção. Agora, deixar de viver sua história de amor apenas por puro medo é neurose.

Amar é administrar o medo e a insegurança diariamente. Como nossa garantia de certeza das coisas está diariamente ameaçada o equilíbrio é ter seu coração no ponto. No ponto de amar e conviver. Amar é saber conviver com o mistério o tempo todo. Isso é ruim? De jeito nenhum!

O verdadeiro amor oferece confiança e certa estabilidade pelo próprio sentimento em si. Quando mais confiamos no outro, mais nos entregamos. Isso fortalece a intimidade. No entanto, esse sentimento pode mudar com o tempo e outros fatores. Estranho, mas o ser humano tem medo da felicidade. Sentiu-se bem, amado, correspondido, começa o medo. O medo da perda.

Esse medo quando muito intenso merece ser investigado numa psicoterapia. Pode ser um trauma profundo vivido na infância ou até abandono.

Uma cliente minha de 50 anos se apaixonou profundamente. No entanto, quase põe tudo a perder, sufocando a pessoa amada com insegurança e ciúme exagerado. Investigada a causa dessa insegurança, ela descobriu que tinha medo de abandono. Medo de ser abandonada por seu amor.Então, quando o homem amado não ligava na hora marcada ou se atrasava, ela começava a sentir sintomas físicos como: palpitações, mãos geladas.

Começava a perseguição obsessiva. Ligava para a pessoa amada o tempo todo. Seu comportamento obsessivo quase provocou o rompimento.

Com a terapia, a cliente percebeu que ficou muito magoada quando sua mãe a abandonou quando criança para viver uma paixão fora do país. Minha cliente foi morar com a avó. Desde esse dia, sentiu que bastava amar para ser abandonada. Sua mãe dizia que a amava e a abandonou.

Com o tempo ficou mais tranquila e percebeu que as pessoas amam de diversas formas. Aprendeu que as pessoas são diferentes. Apesar da decisão sua mãe nunca deixou de amá-la. Minha cliente resgatou o perdão e o valor da auto-aceitação. Se a mãe a havia abandonado é porque não tinha valor. E, se não tinha valor quem a amaria? Seus sentimentos distorcidos produziram um ciúme infundado e insegurança.

Integrou seus sentimentos e pôde viver o amor em toda sua plenitude.

Melhor do que o medo, a sensação de estar apaixonado produz mais hormônios, mais química boa na saúde. Pense nisso antes de permitir que o medo e o negativismo anule totalmente sua capacidade de amar.

É sempre tempo de amar!


Sandra Cecília

 

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