Relacionamento - 16/12/2007
Na Bola de Cristal: Amor passional


Passional no Dicionário Aurélio -Terceira Edição, Editora Nova Fronteira: relativo a paixão.

Paixão: sentimento ou emoção levados a um alto grau de intensidade.

Entrou em minha sala uma moça franzina, baixa , de olhos vivos e castanhos. Ela sentou-se e deu um longo suspiro. Eu estava embaralhando as cartas, enquanto observava a moça. A expressão desprotegida da jovem era apenas aparente. Seus olhos vivos demonstravam raiva e sofrimento.

Não tinha mais do que 24 anos. Os cabelos crespos caíam até os ombros. Não havia aliança nos dedos. De repente, ela começou a falar sem parar. Seus olhos estavam cheios d água. Ela havia brigado com o namorado. As brigas eram freqüentes. Na última briga, Lia havia ameaçado o namorado com uma faca. Ele tinha pouco mais de vinte e cinco anos. O rapaz trabalhava num escritório e os dois estavam juntos há mais de 6 anos.

O namoro tinha altos e baixos. Momentos de grande paixão. Momentos de brigas e agressões. Ela disse que já havia denunciado o namorado na Delegacia da mulher. Contou que, após uma briga , ele a empurrou e chutou sua perna . Geralmente, durante as brigas, o jovem estava alcoolizado.

 Prontamente, ofereci uma caixa de lenços de papel. Ela começou a assoar o nariz com força. Observei seu braço direito. Havia um hematoma. Não era grande e estava quase desaparecendo. Perguntei:

- O que foi isso? - ela puxou a manga da blusa azul.

Ficou em silêncio por alguns instantes e depois afirmou aos prantos:

- Foi ele! Ele me bateu, porque tive uma crise de ciúmes.- começou a chorar novamente.

Mesmo com tanta agressão e desrespeito o casal acabava sempre se reconciliando. Briga após briga. Gritos. Desaforos. Ódio.

Amor passional. Essa moça não precisava ver o passado, nem o presente ou mesmo o futuro. Ela precisava de atendimento psicoterápico. Começou a contar sua infância. Não conheceu o pai e a mãe trabalhava em dois empregos para sustentar os três filhos. Lia havia conhecido Flávio numa balada.

 Os primeiros 3 anos foram tranqüilos , mas depois o ciúme acabou com a paz do relacionamento. As brigas aconteciam sempre na casa da mãe da Lia . Sempre quando estavam sozinhos.

Lia queria saber se o rapaz tinha outra e se a traía. Queria saber sobre o futuro do relacionamento.

Três cartas foram as mais presentes no relacionamento: a Torre, a Força e o Enforcado.

Torre: fragilidade, crise, momento de transformação.

A Força: paixão, ação instintiva, proteção espiritual.

O Enforcado: sacrifício, sofrimento, renúncia.

Somando todas as cartas aparecia novamente : O Enforcado.

Seria necessário uma grande transformação como saída para esse caos.

Expliquei que o relacionamento estava fragilizado. E que os dois precisavam se tratar. O ciúme dela era intenso demais. A agressividade dele era reforçada pela posição de vítima da jovem. Vítima e algoz formavam um casal doentio. Um reforçava a doença psicológica do outro.

Será que ainda havia amor? Não sei.

Encaminhei a jovem Lia a uma clínica gratuita de psicologia.

E, para reforçar sua auto-estima falei das suas possibilidades no estudo e no âmbito profissional. Ela precisava acreditar mais em si mesma. Respeitar-se mais. Valorizar-se como mulher. Falei do perigo de relacionamentos passionais. Eles poderiam acabar em tragédia.

Lia foi embora e eu fiz uma prece. Dois vultos escuros estavam perto o tempo todo. Provavelmente os inimigos espirituais do casal. Colaboravam parao aumento daquele turbilhão de emoções desencontradas. No entanto, Deus era mais forte. Nenhum ser encarnado ou desencarnado tem o poder de destruir o amor de um casal. É como um prato sujo que atrai moscas. Basta lavar o prato que os insetos vão embora.



Atualmente , a mídia tem mostrado uma série de tragédias ocasionadas por amores passionais. São amores movidos à paixão e ao ciúme. O controle excessivo, o domínio, a cólera pode estragar a vida da pessoa. O ciúme excessivo pode destruir um relacionamento.

Em nome do amor, um homem seqüestrou a própria mulher e a manteve dentro de um ônibus com muitas pessoas. Em nome desse amor, um rapaz seqüestrou e matou a ex-namorada numa farmácia. Por que? Ela havia rompido o namoro e o rapaz não aceitou.

Amor: "sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem." "Dedicação absoluta de um ser a outro."- Dicionário Aurélio.

Quem ama mata? Bate? Fere? Magoa?

Se nós fossemos perfeitos, o amor seria apenas paz e felicidade. Nós amamos com imperfeição. Baseados na posse. Amor doentio. Controlador. Baseado no egoísmo, no ego.

Algumas doenças psicológicas predispõe a pessoa a comportamentos violentos e agressivos como: transtorno bipolar, algumas psicoses , depressão grave, mistura de remédios e bebidas alcoólicas, drogas.

No entanto, mesmo uma doença psicológica não justifica um comportamento violento.

Se o relacionamento é passional, movido a emoções fortes sinaliza perigo. Pessoas com baixa auto-estima tendem a atrair amores assim feitos de muito sofrimento . O que fazer? Procurar ajuda profissional. Procurar a delegacia da mulher.

Algumas esposas de alcoólatras sofrem caladas por receio do revide do parceiro. Dizem resignadas: "Ele age com violência somente quando bebe, mas é bom marido." Não sabe que estão contribuindo para o aumento da violência e do sofrimento quando se escondem por conta do medo da reação do parceiro.

Atualmente, a lei está mais severa com homens violentos. Há uma série de alternativas para tratamento de pessoas que amam de forma doentia como: grupos de auto-ajuda, clínicas psicológicas, grupo de familiares de alcoólicos anônimos, grupo de apoio a mulheres que amam de forma doentia, etc.

Menciono também apoio espiritual. Todo semelhante atrai semelhante. O Mal atrai o mal. Além da violência, um relacionamento passional atrai espíritos doentes e zombeteiros.

Conheci um rapaz que era viciado em drogas e batia na esposa. Procurou uma igreja evangélica e começou a participar dos cultos. Conseguiu ajuda e o apoio religioso trouxe a paz para a família. Mas ele quis mudar.

Não basta querer ser feliz. Você tem que merecer a felicidade. Lutar por uma vida melhor.

Nascemos para ser felizes!

Não estamos aqui na Terra para perder!

Dependendo do caso o melhor mesmo é partir para outra e escolher uma parceria mais saudável e satisfatória.

Acha que vale a pena tentar? Vá à luta! É sua felicidade que está em jogo e, até mesmo, sua vida. Cuide-se!

Seja feliz!




Sandra Cecília

 

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