Verinha Verdadeira - 23/12/2007
Natal sem namorado






Minha biblioteca está cheia de livros de auto-ajuda sentimental . Já li quase todos. Procurava uma saída para a solidão.

Os autores falam a mesma ladainha: "Seja feliz com você mesma!" "Aprenda a viver sozinha!" "Sorria, pense positivo!" No entanto, nada parecia funcionar.

Queria passar o Natal com o Roberto. Beto. Quarentão. Charmoso. Inteligente. Não deu certo! Eu conheci o Beto numa festinha familiar quase sem graça.

" - Esse é o Roberto!"- apresentou minha amiga piscando o olho para mim. Ela sabia que eu estava "matando cachorro a grito". Sem namorado há quase um ano. Triste. Murcha. Solitária. Olhei para o tal do Beto: quarentão , olhos escuros, sorriso cativante. Minha amiga disfarçou um pouco e saiu de perto. Ficamos a sós. O garçom veio e peguei uma bebida. Precisava de coragem para falar. Eu só tremia. Ele tinha um perfume discreto. Vestia uma calça jeans e uma camisa azul linda. Rolou um papo solto. Peguei mais um Martini , depois mais outro.

Quando dei por mim, estávamos sentados no canto da sala num sofá branco. Falei da minha vida, do meu casamento fracassado. Ele ouvia com ar solidário. Uma paciência de terapeuta. Falou pouco. Era divorciado e tinha um filho de 12 anos que morava com a ex-mulher.

Pensei animada: "Ah, divorciado, quarentão bem sucedido. Ótimo candidato a namorado e, quem sabe, marido."

O quarto Martini me deixou com o rosto afogueado.

Beijos macios, deliciosos do Roberto no sofá aconchegante. Foi o bastante para uma paixão súbita. E, minha mente idealizou uma fantasia romântica. Roberto era minha alma gêmea?

Quando dei por mim, a minha amiga havia sumido. Fingi desapontamento porque esperava que o Beto fosse me levar para casa. É óbvio que eu estava atenta ao sinal vermelho de perigo. Nada de muitas intimidades no primeiro encontro. Era de praxe! Beto foi um gentleman! Ele me deixou em casa como se eu fosse uma adolescente comportada. Na verdade, dentro de mim , um vulcão de desejo. Sexo no primeiro encontro jamais! O que ele pensaria de mim?

Saímos a semana inteira. Trocamos telefones, e-mails e conversávamos no messenger. Contei para todas as amigas que estávamos namorando. Um dia, aconteceu. Fizemos amor no apartamento dele. Tomamos vinho e eu adormeci em seus braços. Até que enfim! Passaria um Natal com um namorado a tiracolo.

Minha noite de Natal não tinha graça. Ficava em meu apartamento ou na casa de parentes. A sensação era que estava sobrando. Minhas amigas estavam casadas. Eu não. Divorciada. Solteira. Sozinha.

 Em poucos dias, me instalei no apartamento do Beto. Deixava tudo arrumadinho. Eu deixava calcinhas penduradas no banheiro , blusas no guarda-roupa . Era um suplício quando tinha que voltar para o meu apartamento. Ligava para saber se ele estava bem. Achava que o Beto estava fisgado!

Numa bela noite de terça-feira eu liguei: "Mor, estou indo pra aí! Tem uma lasanha no congelador. Vamos ver um filme de DVD?"

A voz do Beto soou esquisita, mas fingi que não percebi:

- Verinha, já passamos o final de semana juntos! Eu...- mas eu o interrompi na hora.

- Eu o quê? Vai receber visitas? O que você está me escondendo, Beto? - e tive a pior cena de ciúmes da minha vida. Com direito a lágrimas, chantagem emocional e tudo o mais.

Beto deu um longo suspiro e rendeu-se:

- Ta bom, Verinha! Não precisa ficar assim. É que eu preciso dormir cedo. Amanhã tenho reunião no trabalho.

E a Cinderela falou para o príncipe:

- Preparo um delicioso café da manhã para você, mor.

Nossa noite foi esquisita. Algo estranho no ar. Voltei para casa no dia seguinte. Ligava no celular do Beto e ele não atendia. Ligava no telefone fixo e caía na caixa postal. Insistia e deixava recado:

- Mor, você está bem?

Até que ele retornou a ligação com um tom de voz impaciente:

- Verinha, ando meio cansado. Esse final de semana , tenho reunião. Vou ficar sozinho esse final de semana.

Entrei em pânico.Nova cena de ciúmes.

Torpedos do Beto? Jamais! Ligações do Beto? Raras. Um dia, ele chegou no meu apartamento com cara de poucos amigos. Sisudo. Desconcertado.

Sentou-se bem longe de mim. Terminou o namoro. Falou que estava se envolvendo demais e não queria. Desculpou-se com aquela frase que nenhuma mulher gosta de ouvir: "Você é muito legal. Encontrará alguém que a ame de verdade!"

Passei semanas chorando. Liguei. Implorei volta. Ele não voltou.

Vou passar o Natal sozinha. Talvez na casa de parentes. Ou viajar, quem sabe. Tenho que aprender que, por enquanto a melhor companhia para mim mesma SOU EU.

Fui com muita sede ao pote, ele caiu e entornou a água.

Ah, como gostaria de ser um inseto voador para ir até Roberto e saber o que ele estava pensando. Parecia tudo tão perfeito! O que fiz de errado? Ah, mas um dia, ele voltará!

Feliz Natal para vocês, amigas!

Verinha Verdadeira

Querem saber o que o Roberto pensa sobre Verinha?

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Natal do Roberto.


Sandra Cecília

 

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