Verinha Verdadeira - 23/12/2007
Natal do Roberto





Não decidi ainda sobre o que fazer na noite de Natal. A Mariana, minha ex-esposa, me convidou para passar na casa da mãe dela. Casa de ex-sogra? Nem pensar. Resolvemos sem discussões. Vou almoçar com meu filho Júnior no dia 25 de dezembro.

Sou um homem divorciado, livre e desimpedido. A vida corre solta sem grandes compromissos. Depois de um casamento de dez anos , quero aproveitar a vida. Dedicar-me à carreira e ao meu filho. Quem sabe, um dia, uma namorada.

Minha amiga Lurdes me convidou para uma festa no sábado à noite. Aceitei o convite. Afinal, conhecer gente nova é sempre bom. Vesti a minha melhor camisa. O apartamento era aconchegante. A aniversariante era uma jovem senhora com dois filhos. O marido , um empresário de informática.

Fiquei o tempo todo com a Lurdes. Uma mulher atraente chegou à festa. Os cabelos até os ombros. Sorridente. Interessante. Aparentava não mais de 40 anos de idade. Era amiga de Lurdes. Fui apresentado a ela. A mulher interessante se chamava Vera. Seu vestido não era muito ousado, mas gostei do seu perfume amadeirado.

O garçom passou com Martini e ela aceitou. Tomou muito Martini e começou a contar sobre sua vida, o casamento fracassado, solidão. Sou um homem educado . Ouvi com a paciência de um monge. Eu mais ouvi do que falei. Fiz o possível para não olhar direto para seu decote sensual. Tomei um pouco de cerveja. Será que aquela noite iria render?

Escolhi o cantinho da sala e sentamos no sofá. Depois de dez minutos, senti um clima gostoso no ar. Passaporte livre para um beijo. Rolou uma química gostosa. Pensei comigo: "Será que ela é do tipo que faz sexo no primeiro encontro?" Acho que não. Melhor não arriscar ou perderia a oportunidade de conhecê-la melhor. Simpática, inteligente e de olhos melancólicos.

Eu a levei para casa , mas não pedi para entrar. Afinal, era um gentleman. No entanto, seu perfume ficou na minha lembrança a semana toda. Liguei para ela várias vezes. Passei alguns e-mails. Torpedos carinhosos.

 Uma noite, depois de um pouco mais de vinho, Vera e eu fizemos amor no meu apartamento. Gostei do seu toque. Estava preocupada com preventivo. Percebi que era uma mulher informada e cuidadosa.A atração foi magnética. Instantânea.

Bem, eu não queria nada sério, mas seria interessante ter uma namorada após quase um ano solitário. Estava cansado de encontros esporádicos com mulheres que mal conhecia. Eu não abdicava de preservativos, mas gostava da liberdade de homem solteiro. Também não era promíscuo.

Vera tornou-se minha namorada. Carinhosa. Inteligente. Ótima cozinheira. Meu apartamento se transformou num lar. Em um mês de namoro ela colocou ordem em tudo.

Um dia, cheguei do trabalho e encontrei uma surpresa no banheiro. A partir daquele dia , senti perigo no ar. Havia uma calcinha azul da Vera pendurada no banheiro. Quando cheguei no meu quarto, vi algumas roupas dela em cima da cadeira. Pensei: "Vera está se mudando para cá."

Lembrei-me do meu casamento e das calcinhas penduradas na torneira do chuveiro. Lembrei das intermináveis discussões. Tudo passou como se fosse um filme. Senti que a minha namorada era uma provável candidata ao casamento.
Naquela semana fiquei meio quieto e pensativo. Não atendi o celular. Chegava em casa e lá estava a Verinha me esperando com um beijo estalado e jantar quente. Igual a uma esposa. Eu não queria uma esposa. Pelo menos por enquanto. Gostava da Verinha, mas preservava minha liberdade de homem divorciado. Não abriria mão dela por nada nesse mundo.

Vera percebeu minha mudança. Teve uma crise de ciúmes. Depois, outra. Parece que o filme do meu casamento estava passando novamente.

Um dia, tomei uma decisão. Rompi o namoro. Ela chorou muito e me senti mal. Fiquei duas semanas, quieto e pensativo. Tive recaídas. Pensei em ligar para ela, mas mudei de idéia. Quando chegava em casa, a sensação de liberdade era maravilhosa. Nada de calcinhas penduradas no banheiro. Agora, era somente o disk pizza, o disk comida chinesa. Nenhum fiscal de saias ligando para meu celular direto.

Pensei que fosse passar o Natal acompanhado de uma linda mulher.Não deu certo! Bola para a frente! Talvez eu passe o Natal na casa da minha ex-mulher mesmo. Vou arrumar uma roupa de Papai Noel e fazer uma surpresa para meu filho querido Júnior!

Um grande amor? Quem sabe, um dia!

Mulheres, se vocês soubessem como um pouco de mistério instiga o homem.

Verinha estava sempre por perto. Perfeita demais. Perigosa demais. Sinalizava compromisso. Insegura demais. Carente demais...


Feliz Natal a todos!

Roberto



Sandra Cecília

 

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