Verinha Verdadeira - 04/02/2008
Cadê nossa criança interior?

O convite foi repentino e não havia tempo para esperar. Baile do Havaí num clube super 10 da minha cidade.

Aceitei o convite.

O que escolher ? Fantasia de havaiana ? Um sarongue florido básico? Olhando o guarda-roupa durante cinco longos minutos, peguei o cabide escondido. Havia um vestido florido à minha espera.

"- É esse!"- pensei animada.

Escolhi uma turma animada de mais de quarenta anos. Dois casais comportados e casados, tres mulheres divorciadas e à espera de um homem legal( príncipe encantado?)

Cheguei com uma amiga. A mesa estava bonita enfeitada com uma cesta de frutas. Os respectivos maridos cinquentões e quarentões chegaram uma hora depois. Todos munidos de um arsenal indispensável: geladeira de isopor abarrotada de bebidas.

O clube permitiu o livre acesso de bebidas alcoólicas.

Olhei para o palco. Duas dançarinas de pernas grossas e short curtíssimo rebolavam ao sabor de uma música de Ivete Sangalo. A cantora era uma moça magra vestida de roupa florida.

Eu estava naturalmente alegre, mas escolhi um cuba libre( rum com coca).

A sensação da bebida alcoólica descendo pela goela abaixo foi de prazer. Senti um calor gostoso no corpo e mais vontade de sambar.

As mulheres e seus respectivos maridos quarentões e cinquentões pareciam animados. Um casal me surpreendeu: 19 de casados.Dançavam juntos e agarradinhos. Não estavam bêbados.

O baile começou a encher aos poucos. Gente bonita e florida. Alguns animados demais. Eufóricos demais. Aqui e acolá mesas cheias de frutas eram assaltadas pela turma afoita e faminta. Dançar e sambar dá fome.

No meu segundo copo de cuba parei de beber. Não precisava mais daquilo.

Na verdade, morria de medo de perder o controle sobre mim. Se eu estava bem e alegre, por que beber? Pra ficar mais alegre? Agarrar o primeiro homem que aparecesse?

Sóbria, mas animada, olhei em volta. A mesa estava cheia de gente: conhecidos e desconhecidos.

Eu vi um cinquentão bem casadão eufórico demais. Aproximou-se de uma amiga trintona, solteira e murmurou algo no seu ouvido. Olhei em volta. Cadê a esposa? Como solta o marido num baile tão requisitado e tão cheio de mulheres animadinhas?

Minha amiga não gostou do que ouviu. Afastou-se contrariada e me disse baixinho:

"- To cansada de coroa casado me cantando. FUI.........- afirmou desalentada."

Aproximou-se uma velha conhecida. Fazia anos que não a via. Eu estava com dor no pé esquerdo e sentei-me um pouco. Ela começou a conversar animadamente e falou dos seus homens, do ex- marido e o quanto estava feliz sozinha.

Só que olhei nos olhos dela e não percebi felicidade, mas uma resignada aceitação. Seu olhar de inveja disfarçada babava nos casais enamorados.

A hora começou a passar rapidamente e passei da euforia ao cansaço. Precisava ir ao banheiro e atravessei um "trânsito caótico" feito de mulheres animadas, homens bêbados e jovens desorientados. Um empurra empurra daqueles!

Foi uma aventura chegar ao toilette! E, no banheiro, outra fila interminável.

Algo me chamou atenção! Uma mulher alta de cabelos castanhos se encostava à parede. Duas amigas tentavam segurá-la para que parasse em pé. Obviamente estava bêbada. A maquiagem escorrida deixava seu rosto com ar de pierrot desiludido.

Falava arrastado e ria como se estivesse dopada. De repente, começou a escorregar na parede como se fosse um fantoche.

Caiu no chão e desceu as calças. Ria abrindo a boca desmesuradamente.

As amigas tentavam salvá-la da exposição do "fogo" do álcool no sangue, mas pouco se pôde fazer.

Saí do banheiro com aquela imagem bizarra na minha mente. Como era desalentador ver uma mulher bêbada!

Certamente , não era feliz! Pessoas felizes e bem resolvidas precisam cair no chão daquela maneira?

Bem, queridos internautas, não tenho nada de careta. Não sou freira e nem santa, mas,desculpem aqueles que adoram um porrezinho maluco, prefiro um álcool discreto. Elegante.

Nós, mulheres, precisamos ser elegantes. Precisamos abrir caminho para uma vida mais completa. Não acham?

Voltei ao meio do salão e atravessei uma avalanche, ou seria uma tsunami de homens com bafo de onça, mulheres suadas e jovens falantes..

Mais adiante, dois homens começavam uma briga.

Cheguei sã e salva à minha mesa.

Sentei-me e bocejei. Uma moça bonita chorava enquanto seu namorado se exibia para uma quarentona divorciada.

Minha amiga havia sumido. Quando perguntei dela fiquei sabendo que havia levado outra amiga ao pronto-socorro.

Outra mulher havia exagerado no álcool e passara mal.

Quando o relógio deu mais de 3 da matina, senti o clima esquisito. A maioria dos homens da mesa estavam bêbados. As mulheres animadas demais.

Estava na hora de espirrar fora dali.

Pense comigo!

Você já olhou um bebê brincar? Ou mesmo uma criança brincando no jardim? Ela é o que é. Diverte-se apenas.

Sem tempo, sem passado, sem presente...

Nós, perdemos nossa criança interior quando precisamos DEMAIS DE ADITIVOS ALCOÓLICOS OU DROGAS para ficarmos como as crianças: espontâneos e alegres.

O quarentão rompe seus freios inconscientes quando bebe para cantar a louraça gostosa. Esquece até que é casado.

A mulher solitária quando enche a cara, solta os freios da insatisfação e sorri mais...

Só que a alegria genuína vai embora e fica um porre esquisito ... muito estranho. Um porre que é perigoso e pode levar à morte. Sabe , por que?

O homem cinquentão bêbado pega o carro e segue para a casa. Não pensa que seus reflexos estão deteriorados pela bebida. E pode bater em outro carro, destruir uma família e a própria vida.

A mulher bêbada pode ficar mais corajosa e aceitar o convite para sair de um cinquentão casado e insatisfeito. Animada segue para o motel. Quer viver o momento. A cabeça gira , as pernas moles.

E ela nem se lembra da camisinha. A cega sensação de liberdade é tão maravilhosamente escancarada que a pessoa esquece o bom senso.

E, nesse momento de loucura, pode estar arriscando a própria saúde. E, o cinquentão casadão volta para casa, para a esposa sem graça e faz amor com ela.

Levando para ela todas as impurezas e doenças que um relacionamento efêmero e irresponsável pode ter!

Cadê nossa criança interior?

Vamos tentar resolver nossas neuras e brincar muito nesse carnaval. Mas a vida sem bom senso, sem juízo, pode se voltar contra você!

Não sou contra a pinguinha animada, a cerveja estupidamente gelada e ao vinho sensual...

Tudo está nesse planeta ao nosso dispor.

No entanto, tenha cabeça!!

Um tanto de juízo é bom!

Porque o fogo passa, é uma alegria falsa e depois você vai ter que juntar os cacos de suas atitudes irresponsáveis!

Mulheres, mais elegância e charme quando o negócio é bebida alcoólica!

Saber beber socialmente é uma arte!

Brinque o carnaval , mas não brinque com sua vida!

Verinha Verdadeira


Sandra Cecília

 

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