Psicologia - 22/03/2008
Qual o melhor lugar para discutir a relação?





A questão do espaço ou do ambiente é fator menos influente nesse questionamento. Pode até ajudar um pouco, mas o que importa mesmo é o diálogo. A proximidade ou não do casal. Podem estar num ambiente acolhedor , mas distantes um do outro.

Discutir a relação é desnecessário para alguns casais. Trabalham a relação todo o tempo através dos gestos, dos olhares e do carinho recíproco. Não há exatamente uma conversa com hora marcada. Simplesmente acontece como um elemento de simbiose positiva entre o casal. As diferenças são resolvidas na hora através de uma conversa aberta e sincera.

O convívio a dois pode ser muito difícil. Principalmente, quando se convive com pessoas difíceis. São vários os tipos de pessoas difíceis: os fechados, os ressentidos, os agressivos, os negativos.

Você saberá como lidar com a pessoa amada se não revidar ou alimentar a briga. Algumas pessoas ficam muito hostis quando confrontadas. Outras, se fecham em copas quando ouvem críticas.

Algumas pessoas projetam na pessoa amada dificuldades próprias. Resquícios de outros relacionamentos sofridos. Ou medo de traição. Medo do abandono. Podem se tornar frias e distantes para evitar a rejeição. Um confronto muito direto pode ameaçá-las. E o resultado ser desastroso.

Gritar com o outro é defesa. Quem ataca quer mesmo se defender. Uma atitude hostil gera outra atitude hostil. O que acontece? Nessa conversa, há um certo afastamento. A intimidade se dissolve.

Li , há alguns anos, numa revista um comentário do terapeuta Flávio Gikovate:

"Aquele que se queixa mais, pode ser o mais egoísta."

Queixas frequentes geram insatisfação. Você pode estar coberto de razão, mas a pessoa amada vai se retrair. Dependendo do seu temperamento poderá até se afastar de você.

Você pode falar o que pensa, o que sente sem ofender, magoar ou atacar diretamente.

Dar indiretas contando casos específicos de outros casais, nem sempre funciona. Seja claro e aberto!
Um exemplo:

Lúcia esperou o marido chegar em casa do trabalho. Não dava para esperar mais! Tinha que conversar com ele a respeito da relação. Estava angustiada e com raiva do seu comportamento. José chegou bem humorado. Sapecou um beijo na esposa e foi direto para o banheiro. Queria tomar um banho relaxante e jantar. Estava faminto!

A esposa o seguiu no banheiro. E começou o rosário de lamentações:

- Ando muito triste com você, José. Eu chego muito cansada do trabalho e ainda tenho que pegar as crianças na escola. Ontem e hoje você não fez o que combinamos. A faxineira faltou. A casa está uma bagunça! Só eu! Só eu para fazer tudo! Ontem, fiquei falando sozinha. Não me dá a mínima! Dormiu enquanto eu falava!

José foi pego de surpresa. Não esperava aquela chuva de queixas. Ficou visivelmente contrariado, mas não queria discutir. Estava com fome. Ele saiu do banho e vestiu uma camiseta e uma calça jeans. Foi direto para a cozinha. Não havia nada pronto! Deu um longo suspiro e achou melhor fazer um sanduíche. Sentou-se à mesa e começou a comer em silêncio. Lúcia o seguiu até à cozinha. O silêncio do marido a irritou profundamente. Interpretou aquele silêncio como falta de respeito:

- Viu como estou certa? Estou falando com você e nem me ouve. Comendo seu sanduíche tranquilamente enquanto eu falo com as paredes! Estou me sentindo desprezada! - Lúcia começou a chorar.

As críticas da mulher provocaram a ira do marido. Achava que estava fazendo o possível para acertar. Nada dava certo! Lúcia era um poço de lamentações. Ela continuou falando . O marido continuava silêncio.

De repente, ele interrompeu o lanche e se levantou abruptamente. Pegou as chaves do carro e se dirigiu à porta. Lúcia gritou:

- Vai sair agora e me deixar sozinha?

José sorriu com o canto da boca e abriu a porta. Voltou-se para a mulher e respondeu secamente:

- Vou comer em algum lugar por aí. Aqui é impossível jantar em paz! - saiu e bateu a porta.

Lúcia começou a chorar convulsivamente. Pegou o telefone e ligou para a melhor amiga. Estava em prantos!

- Jussara, o José está muito esquisito! Acho que ele tem outra!


O que aconteceu com esse casal? Um faz o papel de vítima sofredora. Cobranças insistentes não funcionam! Lúcia estava carente e insegura quanto ao afeto do marido. Quanto mais se queixava, mais ele se afastava. E, quanto mais ele se afastava, mais ela se sentia abandonada.

Há alguma saída? Talvez sim. Se Lúcia admitir a insegurança e começar um trabalho de auto-conhecimento. Compreender que ela e o esposo tem visões diferentes sobre a vida, o trabalho e os papéis no casamento. Isso é importante!

Se houvesse um pouco de sensibilidade e compreensão , ela esperaria um melhor momento para conversar. Na verdade, o que ela queria era um bode expiatório para desabafar a raiva contida e sua frustração.

José estava decepcionado. Cresceu num ambiente familiar repressor e ouviu muitas críticas negativas dos pais. Também era inseguro e tinha dificuldade em exteriorizar sentimentos. E, por conta disso, atraiu uma esposa carente e insegura.

Ela escolheu uma péssima hora para conversar. E não conversou. Foi apenas um monólogo. José se fechou o que tornou tudo mais difícil.


Cautela com a interpretação que você dá às palavras do seu marido ou esposa. Pense com calma antes de conversar. Esfrie a cabeça. As pessoas são muito complexas. Entender o universo do outro dá trabalho.

Comece entendendo o seu universo. Suas vontades. Seus defeitos. Suas carências. Baixe as expectativas. E compreenda: o outro é o outro. Não é você!

Jamais responsabilize a pessoa amada por sua infelicidade. Você deve se responsabilizar por sua felicidade sempre. Através de suas atitudes. Responsabilizar o outro pela sua infelicidade é dar excessivo poder a ele. E nesse contexto você fica à mercê da pessoa amada. Se ela está bem, você fica feliz! Se ela não está, você despenca.

Nossa vida afetiva nos afeta em todos os sentidos. Não podemos negar esse detalhe. Mas sempre se responsabilize por sua felicidade ou infelicidade. Por suas escolhas.

A pessoa amada foi escolha sua!

Lembra-se disso?

E, será seu livre arbítrio que vai ditar se vai ficar ou não com ela. Tentar novamente. Conversar. Perdoar. Ouvir.

São individualidades.

A partir daí, poderão conversar e até discordar de forma adulta e produtiva.

Não marque hora e nem lugar. Quanto mais espontânea for a conversa melhores os resultados.



Sandra Cecília

 

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