Relacionamento - 26/08/2008
Rompimento amoroso





Ganhei um vaso muito bonito de uma folhagem delicada. Foi imperdoável, mas me esqueci da plantinha por um ou dois dias, ou um pouco mais. Tomou sol e ficou sem água. Morreu. As folhas caíram. Fiquei penalizada , porque era bonita e enfeitava minha varanda. E só me dei conta da sua falta quando ela adoeceu e secou.

Para aplacar o sentimento de culpa coloquei o vaso em outro lugar. Não tive coragem de me livrar do vaso. E , por alguns dias, passava perto do vasinho seco. Uma vaga esperança rondava de mansinho...

Num final de tarde, busquei o vaso para tirar as folhas secas e dar outro fim a ele. E, qual não foi minha surpresa, quando vi três folhinhas novas , fortes, lutando pra sobreviver. Naquela mesma hora, molhei a terra e a coloquei o vaso em lugar fresco e agradável. A plantinha desabrochou muito mais bonita do que antes. A vida ainda estava lá pronta para renascer.

Algo tão simples me ensinou uma lição preciosa sobre o amor. Para mim , isso é o amor. Ele sempre está brotando se algo vive dentro dele, algo de verdadeiro, de real.

E ela sobreviveu incólume me proporcionando uma lição proveitosa. A lição de que todas as coisas vivas precisam de cuidados diários, de amor, de rega e encanto. E, que a falta de algo importante em nossas vidas pode nos abrir os olhos para o amor verdadeiro e maduro.

A vida é sombra e luz. Sol e chuva. Flor e outono. Calor e frio. E, nos contrastes, a gente progride.

Não há como medir a dor de um rompimento amoroso. É própria, individual, depende da maneira que cada um vê o amor e o relacionamento. Como um luto. Enfrentar as perdas com dignidade é sinal de evolução.

Chega uma hora em que o fim é inevitável, e muitas vezes, ainda há um pouco de amor. No entanto, não basta somente o amor para um relacionamento criar raízes. O amor é como uma plantinha. Se um dia fica sem água se ressente, as folhas amarelas. E se no outro, toma muito sol, murcha. E, mesmo que a água venha, um cuidado ou outro, ela acaba adoecendo. Pode morrer e nem sempre elas brotam novamente.

A morte de um amor é algo doloroso e profundo. Geralmente, acontece aos poucos e sinaliza , como um sinal vermelho alertando o perigo. Uma falta de atenção ali, um grito acolá, falta de respeito, distancia, incomunicabilidade. E, acontece um afastamento progressivo. Às vezes, é recíproco. Noutras, unilateral.

O rompimento é conseqüência de uma série de atitudes que vão se somando e criando fortes raízes. Ou mesmo falta de atitude. Ou até a surpresa! Como se fosse a gota de água que transbordou o cálice. No entanto, nem sempre o rompimento é o final. Um tempo de afastamento pode amadurecer o amor levar a mudanças positivas dentro do contexto amoroso.

A idealização de que o outro é perfeito, a falsa expectativa acaba com o amor. A decepção progressiva cala no coração. Mas isso acontece geralmente com o ideal romanesco da perfeição do outro. E ,também, a falta de respeito. Quando a falta de respeito começa a rondar um relacionamento, o sinal amarelo está alertando para um erro grave. O amor cuida, protege, não ofende... O amor é benigno. O amor procura intimidade, acesso ao outro. E, quando esse canal de acesso começa a ficar inacessível, a morte está à espreita. Os segredos rondam o casal, as traições, o medo da assertividade.

Algumas mulheres têm medo de desagradar o parceiro e provocar um rompimento. Anulam suas vidas, cedem muito, numa renúncia descabida e sofrida. E, depois, quando o homem as abandona o ódio vem como um turbilhão de revolta. A cobrança é inevitável: "Eu me sacrifiquei e você nunca reconheceu!" "Eu deixei de fazer isso ou aquilo por sua causa!" A cobrança insistente sufoca o amor. Aprisiona. Acorrenta.

Ninguém respeita quem se anula. Quando você se anular demais, o outro não o verá. E, mais dia ou menos dia vai lhe abandonar. Pense nisso!

Garantias de um relacionamento duradouro, para sempre , ninguém tem. Você é que tem que se garantir se o outro lhe abandonar, se lhe frustrar ou decepcionar. Os sentimentos são somente seus. Ninguém é responsável por sua dor. Mesmo que o outro tenha errado ou falhado, nunca o responsabilize inteiramente. Seja responsável por sua vida, pelas escolhas amorosas , por sua dor ou felicidade.

O excesso de ciúme nem sempre é amor. É posse. Manipulação. E querendo reter o outro com força e posse, obterá o efeito contrário. Como passarinho preso numa gaiola, quando a portinhola ficar aberta por um descuido, ele vai escapar para sempre.

Se você rompeu um grande amor, respeite todos os seus sentimentos mesmo os mais contraditórios. Se você foi abandonando não se entregue à auto-comiseração e sentimentos mesquinhos. O orgulho atrasa a vida.

Culpar o outro somente pelo final do relacionamento é sinal de imaturidade. Ou então se encher de culpa sinaliza insegurança e falta de auto-estima.

Sentir raiva porque foi abandonado pode até ser natural nos primeiros momentos , mas não deixe que se torne ressentimento. Pedir volta ou reconciliação, insistir nessa tentativa quando o outro não está disposto é falta de auto-estima e amor próprio. Acho que o amor não sobrevive à falta de respeito ou de admiração pelo outro. Respeitar o desejo do outro, sua opinião é sinal de afeto, de respeito.

O amor sobrevive quando você solta, deixa ir ... Quando você não tenta reter aquilo que não serve para você está ajudando na força natural da vida e do seu destino. Assim, ele volta depois de um tempo ou coisas novas surgirão.

Nada é definitivo, nem o sofrimento e nem a felicidade. O que pode ser definitivo é a paz dentro do coração, a consciência tranqüila.

Paixão sufoca e cega. Apenas faz mal. Traz sobressaltos e dor.

Respeite seu momento de dor. Fingir alegria, passar batido nos seus momentos de crise, faz mal .. Deixe rolar, dê-se um tempo para pensar e depois agir.

Arrastar relacionamentos penosos por medo do fim é mentir para si mesmo.

Algumas pessoas melhoram logo depois que arrumam um novo amor. Isso é inevitável, mas tenha cautela! Sufocar o novo amor com sua carência , pode ser perigoso. Levará para o outro relacionamento os vícios do passado.

Saiba conviver consigo mesmo se quiser ser feliz no amor. As pessoas estão mais independentes. Os homens principalmente são mais seguros nos relacionamentos. Focam um determinado interesse e logo se desfazem da tristeza. A mulher carente demais foca no homem seu ideal de felicidade. E se ele se for, ela desmorona.

Em meu consultório conto nos dedos, homens que prolongam a dor num rompimento amoroso.

Um viúvo de 46 anos me disse numa consulta:

"Terminei o relacionamento. Fiquei tres meses meio assim mas depois passou."- e ele continuou trabalhando, tomando conta do seu negócio , focando outros interesses.

Depois de algum tempo, esse homem conheceu uma moça interessante , namoraram e estão casados.

Outro de 30 anos confidenciou:

"Minha namorada terminou comigo há 7 dias. Um relacionamento de cinco anos." -

Perguntei a ele o que estava sentindo e me disse:

"Estou meio chateado, mas vai passar."

Gostei do seu jeito de enfrentar a perda.

"Mas vai passar!"

Muitas mulheres, depois de um rompimento, caem numa profunda depressão ou revolta. A vida fica sem foco. Não conseguem se concentrar mais em nada.


Término de relacionamento pode ser o início de uma nova vida. Libertação. Paz.

Acredite na força da renovação da vida. A vida não admite retrocesso. Tudo se renova até o amor. O amor nunca é o mesmo. Ele pode até brotar como a minha plantinha, mas ela brota diferente. Nada fica como está para sempre.

Cuide da sua saúde mental. Às vezes, o rompimento amoroso vem acompanhado de tristeza, sentimento de desvalia, vazio e falta de concentração. No início , é natural, mas se persistir durante muito tempo pode ser um início de depressão. Cuide-se procurando um terapeuta ou um médico.

Busque forças naquilo que é perene , nos sentimentos verdadeiros. Quando duas almas se amam de verdade, o sentimento pode até trincar, mas não quebra. O perdão e a humildade poderão abrir caminho para uma nova fase de mais aproximação e carinho.

Nada mais gostoso do que uma reconciliação onde a gente se pode se apaixonar de novo pela mesma pessoa.

Lembre-se da força verdadeira desse versículo bíblico se quiser ser feliz no amor:


"Amai o próximo, como a ti mesmo!"

Aquilo que emperra, que lhe faz sofrer sempre e sempre, precisa partir. Deixe ir! Confie em Deus, em você e na vida maravilhosa que vai se descortinar num futuro bem próximo.

Seja feliz!

Foto da página inicial tirada do site:


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Sandra Cecília

 

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