Relacionamento - 16/11/2008
Amor na medida certa




Autores, terapeutas, consultores amorosos, acham que o homem deve amar mais do que a mulher. O que você acha disso? Quando o homem está mais apaixonado, a mulher mais centrada, mais "cabeça" sofre menos. Concorda com essa teoria?

O amor pode ser medido em termos de quantidade? Amar demais ou de menos? Acho que, quando se fala em amor, não há como ser medido. Ou se ama ou não se ama. Amar um pouquinho - não é amor. Amar demais também não é amor.

O amor que vem na quantidade certa não sobrecarrega. Flui gostoso tanto no homem quanto na mulher. No entanto, para se chegar nesse ponto , ambos tem que estar prontos para amar de forma sadia. Estar inteiros na relação e dentro de suas próprias vidas.

Economia de amor vale a pena? Deixar de se expressar com carinho e espontaneidade por causa do medo? No meu consultório, algumas mulheres desabafam:

- Não demonstro muito meu amor por ele. Ele ficará muito seguro.

Um pouco de mistério aquece a relação, mas um amor que se sustenta no jogo, no disfarce não dura muito. Um homem que se envaidece muito por conta de um amor de uma mulher e não corresponde aos seus carinhos, sinal vermelho.

Um homem de quarenta anos desabafou:

"- Eu me apaixonei perdidamente por ela. Entreguei todo meu coração... Nunca mais vou amar dessa forma. Ela me abandonou!"

Um equívoco. Essa mulher não o abandonou por conta do amor sincero dele. Uma coisa não tem nada a ver com outra.

O verdadeiro amor é um troca positiva entre doar e receber carinho. Não se fica medindo ou pesando os níveis de amor. A troca vem de forma espontânea, gostosa. E também a confiança e o respeito.

No entanto, pode haver uma diferença sutil ou marcante dos sentimentos do casal. Um doa mais amor do que o outro. E, assim podem seguir durante muito tempo. O que pode ser perigoso é que a mágoa pode vir de uma hora para outra daquele que se sente mal amado.

Infelizmente, nós , seres humanos ainda somos muito egoístas. Entramos numa relação mais para receber do que para doar. Tem que ser recíproco.

O amor na medida certa é precavido. Como expor seus sentimentos e se apaixonar se você mal conhece a pessoa ? No entanto, primeiro a gente se apaixona para depois conhecer. É o que acontece com maior frequência. Às vezes, dá certo. Noutras não.

O coração não escolhe, mas a razão sim. Menos imaginação e mais realidade. Pegue seu príncipe encantado e o olhe de frente: é um homem com defeitos e qualidades como você. E o amor , às vezes, precisa de um certo ponto para amadurecer. E isso vem com a convivência mesmo.

O amor precisa da intimidade, o sexo do segredo- pensa a autora do livro Sexo no Cativeiro.

O amor é dinâmico, não é estático. Muda e se transforma com o tempo, mas nem sempre isso é negativo. Acende-se a chama novamente quando a brasa acaba. Há de se colocar mais brasa.

Amar demais, de forma patológica,afasta a pessoa amada.

Reconheça as pistas do " amor demais da conta":

Quer estar sempre por perto. Não respeita o jeito de ser da pessoa amada. Insistente, queixoso. Egoísta, quer ser o centro das atenções.

Muito ciúme.

Desejo de controlar a pessoa amada.

Monitoramento: do celular, dos e-mails, da bolsa, carteira. Como se isso fosse garantia de fidelidade. É insegurança em demasia.

Muita cobrança

Toda hora a pergunta: Você me ama mesmo?


Alguns homens sabem separar sexo de amor mais do que a mulher. Ela se apaixona mais facilmente. Sua imaginação é fértil. Cria muitas expectativas. No entanto, através da minha experiência no consultório não se consegue fazer um parâmetro. Alguns homens também se apaixonam e imaginam um futuro feliz ao lado da sua amada. E, algumas mulheres, também procuram os homens apenas para satisfazer a carência sexual. Alguns homens também se queixam de que não encontram mais uma mulher que deseje compromisso sério.

Atendi uma mulher de 44 anos , solteira. Vez ou outra ela ligava para um amigo e combinavam um encontro. Um interlúdio meramente sexual para amenizar sua carência física. Sempre é ela que liga. Eles marcam um encontro num barzinho e depois vão para um motel. Continuam apenas amigos.

Fazer economia de amor pode ser perigoso. Você, homem ou mulher, tem que ser você mesmo. No entanto, tudo que é demais enjoa. Falar demais, se declarar demais nem sempre é garantia de amor. Alguns homens quando estão traindo ficam mais carinhosos e presentes.

Se você gosta de algodão doce quantos conseguirá comer ? Se lhe oferecem muitos vai enjoar, não? E não conseguirá nem passar perto do algodão doce.

O amor verdadeiro tem a medida exata na sua expressão verbal e de carinho.

Nem sempre frases melosas, presentes , milhões de torpedos, sinalizam amor verdadeiro.

Atendi uma secretária de 50 anos. Ela tem um caso com um médico. Caso esporádico. Ela tem certeza de que o ama mais do que ele. O médico passa muitos torpedos e bilhetes. No entanto, só se vêem praticamente uma vez por mês. No mais, ela fica em casa sozinha. Ele é divorciado. Ela se ressente da ausência do amado e quando deseja terminar o caso, os torpedos aumentam. Isso é amor da parte dele? Não sei. Mas acho que amor é responsabilidade, lealdade e convivência. O verdadeiro amor precisa da convivência para se manter vivo e aceso.

Falar que ama é uma coisa. Ter um comportamento amoroso é outra.

Cada relacionamento tem seu jeito próprio. Cada pessoa ama a seu jeito trazendo a bagagem da sua vida: os relacionamentos passados, as feridas, as separações. Isso pode criar barreiras. Alguns homens, depois que foram traídos, ficam receosos.

Uma cliente minha de 30 anos me procurou se queixando do ciúme doentio do esposo. Ela está se sentindo sufocada. No decorrer da consulta me contou que a ex-esposa dele o traiu. Separou-se dele e ficou com o amante. Agora, ele está desconfiado e persecutório. Isso não adianta! Cada pessoa é de um jeito.

Um relacionamento tem que estar bom para ambas as partes. É troca. Não é incondicional. O amor incondicional só é válido para os pais, filhos e familiares. Mesmo assim, hoje as coisas estão mudando.

O amor no ponto certo traz prazer e felicidade. É mais leveza do que luta. Mais satisfação do que frustração.

Alguém disse:

"Amor que se analisa é amor que já morreu!"



Sandra Cecília

 

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