Entrevistas - 30/07/2011
Entrevista com o médium e escritor Maurício de Castro

Mais uma vez, Relax Mental bate um papo com o escritor e médium espírita Maurício de Castro. Ele vai falar sobre seu novo romance espírita: HERDEIRO DE NÓS MESMOS.





R.M: - Maurício, como é o início de um livro psicografado? Você se desdobra e vê as cenas principais?

O início de cada livro costuma ser diferente às vezes. Em alguns, o espírito começa a ditar a história sem que eu tenha nenhum conhecimento do que será escrito, já em outros eles me falam qual o tema e fazem uma síntese da história. No segundo caso, sei tudo o que irá acontecer, mas quem dita são eles. Eu sou um médium intuitivo que com o tempo desenvolvi um pouco as faculdades de vidência e audiência, mas as manifestações nesse sentido ocorrem muito raramente. Não tenho capacidade para me desdobrar e ver as cenas dos livros, nem ir ao plano espiritual quando estou acordado, só acontece mesmo durante o sono como com todas as pessoas. As impressões que tenho de lá vem em forma de sonhos. Contudo, quando estou escrevendo os romances, fico tão dentro da história que parece que me transporto para lá, mas não é desdobramento, é como acontece com os leitores, mas com um pouco mais de intensidade.

R.M:  Seus  romances espíritas são baseados em histórias reais vividas pelos espíritos?

Alguns sim, outros não. O espírito de Hermes, que é quem dita a maioria dos meus romances, sempre diz que o pano de fundo de todas as histórias é real, mas que ele acrescenta outras tramas e elementos para transformar numa obra literária, agradável ao leitor e ao mesmo tempo num livro que leve às pessoas informações sobre a vida espiritual, Espiritismo e autoajuda. Devo esclarecer que a autoajuda que aparece em meus livros é mais avançada do que aquelas que aparecem nos outros livros do gênero, pois se trata de uma autoajuda baseada na espiritualidade. Em geral, as histórias que os espíritos contam foram vividas por eles ou são histórias que eles colhem no plano espiritual com o intuito de levar coisas boas às pessoas. Os romances espíritas são de suma importância para quem os lê, pois eles mostram com exemplos reais a maneira como a vida funciona. Quem aproveita as lições que eles trazem muda a vida para melhor.

R.M: Como surgiu Sara, uma personagem importante dentro do romance?

Sara é a personagem principal da história de “Herdeiros de Nós Mesmos”. É através dela e de Rosana, outra personagem importante, que os ensinamentos espirituais chegam. Sara é um exemplo de como uma pessoa jovem e conhecedora da espiritualidade deve agir em cada momento da vida, seja ele de dor ou de alegria. Aprendi muito com ela, principalmente como devemos perdoar àqueles que mais amamos e que nos ferem muito, nos magoam profundamente. Sara mostra que nem sempre as pessoas são como imaginamos e que precisamos ir além das aparências. Uma pessoa que usa a maldade, por exemplo, pode estar, através desse comportamento pedindo socorro e compreensão para a própria infelicidade.


R.M: Como é o seu contato com Hermes, seu mentor espiritual? Consegue conversar com ele?

O meu contato com ele é intenso e quase diário. À medida que o tempo foi passando, fui desenvolvendo a mediunidade de audiência e, embora não aconteça com freqüência, nós conversamos muito sempre que há a oportunidade, o que geralmente ocorre quando ele quer me dar instruções mais profundas sobre os livros ou me orientar em alguma coisa de minha vida. Mas, embora eu não ouça sua voz sempre, nos comunicamos cotidianamente pelo pensamento através do fenômeno da telepatia. Na hora de escrever os livros, por exemplo, não o escuto, mas capto seu pensamento com clareza, muitas vezes como se estivesse escutando palavra por palavra.

R.M:  Você tem alguma rotina para escrever ?Usa microcomputador ou máquina de escrever?

Hoje em dia, não tenho mais rotina para escrever como tinha no início da tarefa mediúnica. Fui obrigado a mudar por conta do plano espiritual e até hoje não recebi explicações, porque isso aconteceu. Antes eu escrevia três vezes por semana (as segundas, quartas e sextas), mas a partir do quarto livro, comecei a não conseguir escrever nos dias e horários marcados, eu simplesmente me preparava e os espíritos não vinham. Curiosamente, em outros dias não programados para a escrita, eu acordava com a intuição que iria escrever. Sentia a presença do Hermes ao meu lado e quando me sentava ao computador ele continuava a história. Aprendi a me deixar à disposição e esperar. Procurei estudar ainda mais sobre mediunidade e descobri que, embora a disciplina exterior seja boa, o mais importante é a disciplina interior, ou seja, a dos pensamentos e atitudes. Passei a notar que, quando estava bem, sem preocupações, com a mente leve, o Hermes aparecia e me convocava a escrever. E assim está sendo o processo até hoje. Nesse ritmo já produzimos juntos mais seis romances e estamos escrevendo outros. Devo salientar que, embora o Hermes seja quem mais trabalhe comigo, tenho escrito livros com outros espíritos também, sempre no computador e de maneira espontânea, ou seja, quando eles aparecem. No começo eu me preocupei com essa mudança na forma de trabalhar e quando eu perguntava, eles me respondiam apenas que não havia problema algum. Compreendi que cada médium tem sua forma única e intransferível de se comunicar com o plano espiritual e aprendi a respeitar a minha.

R.M: Chico Xavier publicou mais de 400 obras e jamais ficou com o dinheiro das vendas. Tudo era usado em prol de obras de caridade. O que pensa sobre isso?

Chico Xavier nos deixou um grande exemplo de vida, abnegação e caridade, não apenas na doação dos direitos autorais de seus livros, mas principalmente na indulgência, na compreensão e na vivência mais perfeita de todos os princípios deixados por Jesus.

R.M: Cite um fato pitoresco ou interessante de sua mediunidade.

No ano passado, de repente e, sem que eu soubesse o porque, não consegui mais entrar em contato com os espíritos. Aconteceu comigo o que se chama de “suspensão da mediunidade”. Foi um período difícil para mim que já estava habituado a esse contato, mas procurei ter paciência. Nesse período me questionei muito, principalmente se estava fazendo algo errado no que diz respeito à espiritualidade. É difícil para o médium passar por isso. Esse período durou quase seis meses, quando num belo dia voltei a manter contato. Nesse dia o espírito Hermes me explicou que eu precisava ficar esse período “descansando” da mediunidade, pois eu psicografaria uma história muito diferente das outras que havia escrito e era preciso que minha mente estivesse totalmente limpa para recepcioná-la, salientou também que esse período serviu para testar minha paciência e rever alguns valores. Em seguida tive uma surpresa: passei a escrever meu primeiro romance de época, coisa que eu tinha grande vontade e nunca tinha acontecido antes. Quando terminei o livro e ia enviá-lo para a editora Lúmen, Hermes apareceu e disse-me que não o enviasse naquele momento, pois teria continuação. E a continuação é a história da reencarnação de todos aqueles personagens nos tempos atuais. Foi o livro mais bonito que o Hermes escreveu até hoje.

R.M:  Atualmente, a terapia de vidas passadas tem sido muito difundida entre psicólogos espíritas e terapeutas holísticos.Acha que o véu das vidas passadas deve ser desvendado?

No atual momento de nossa evolução esse véu não deve ainda ser desvendado. Não temos nível de compreensão suficiente para lidarmos com as lembranças de vidas passadas e Deus que é sábio as ocultou de nós. Digo isso às pessoas que tem curiosidade de saber quem foram e onde viveram em outras reencarnações, mas que nenhum benefício vai tirar disso. Chico Xavier respondia a essa questão com uma frase simples: “Não procure saber quem foi, mas sim saber quem é”. Em geral não precisamos saber de nossas vidas passadas para que possamos resolver nossos problemas. No fundo de nosso coração sabemos todos os nossos pontos fracos e em que precisamos melhorar. Dessa forma, aquele que sofre, deve mudar sua forma de ver a vida, suas crenças e atitudes sem a necessidade de recorrer à terapia de vidas passadas. Mas é claro que há casos extremos em que ela é necessária, mas só pode ser feita sob recomendação segura de um terapeuta capacitado.

R.M: Como você explica, através da doutrina espírita, as tragédias entre famílias constantemente mostradas na mídia? O massacre na escola em Realengo, maridos que seqüestram e matam suas companheiras, filhos que matam seus pais. O que está acontecendo?

As tragédias do mundo sempre aconteceram por causa do livre arbítrio do homem que tem crenças negativas baseadas no mal, na violência, na ignorância. Você pode perguntar:

- E as vítimas?

Segundo a doutrina espírita, não existem vítimas no mundo e tudo está certo da maneira que está. É importante dizer que isso não justifica a maldade de quem mata, rouba, fere, mas explica por que as coisas acontecem. O massacre na escola em Realengo, por exemplo, nos chocou profundamente e nos perguntamos: porque Deus não impediu que o rapaz matasse todas aquelas crianças? Deus tem todo o poder e se quisesse teria impedido sim, contudo, se permitiu que isso acontecesse é porque havia uma necessidade de reajuste entre todos os envolvidos. Não podemos afirmar qual foi a causa, mas um fato como esse com certeza está ligado à acontecimentos de vidas passadas. Assim como filhos que matam pais. No meu primeiro livro “O Amor Não Pode Esperar” o espírito Hermes conta a história de uma filha que mata a mãe, explicando em detalhes o que causou o fato. Claro que, cada caso é um caso, mas no fundo tudo está ligado à crença na violência. Se você não é violento, mas teme a violência, vive com medo, violentando sua natureza está com o campo aberto e pode ser atingido por ela. Por isso, em qualquer situação, é preciso acreditar e pensar somente no bem, mesmo quando tudo vai mal.

R.M: Você acha que os mentores siderais podem nos ajudar no dia a dia? O que falaria para uma pessoa que não acredita mais em nada?

Não só os mentores, mas muitos espíritos amigos nos ajudam em nosso dia a dia. Aquele vôo que você perdeu, um atraso de poucos minutos, aquela vontade de passar por determinado lugar e não por outro, aquele relacionamento que não deu certo, pode ser muitas vezes a ajuda do nosso mentor para evitar que coisas ruins nos aconteçam. Nós todos somos muito protegidos por nossos amigos espirituais, mas essa proteção na maioria das vezes é invisível. Eu acho que deve ser muito triste para uma pessoa não acreditar em mais nada. O materialismo traz muito sofrimento, assim também como aquelas pessoas que conhecem e acreditam na espiritualidade, mas não agem de acordo, vivendo na hipocrisia. Ambas as posições não são boas. Infelizmente, para o incrédulo, não há muito que dizer, apenas a lamentar e orar para que eles um dia cheguem à verdade. Não são palavras que convencem às pessoas, mas sim o que elas vivenciam e interpretam. Mas eu não me preocupo com isso, pois sei que, no momento certo a vida mostrará a verdade a quem estiver preparado. Não estou me referindo à verdade espírita propriamente, mas as verdades da vida.

R.M:  Para você MEDIUNIDADE É FELICIDADE OU DOR? SAÚDE OU DOENÇA?

Para mim é uma oportunidade de ser feliz acima de tudo. Eu não concordo, como muitos pensam, que a mediunidade seja uma provação, uma expiação. São muitos os que pensam que o médium é um espírito devedor, que está expiando suas faltas através da mediunidade e por isso deve sofrer muito nesta vida, renunciar a tudo, para no futuro ser feliz no mundo espiritual. Isso é ilusão e não encontra respaldo nas obras de Allan Kardec, você pode estudar todas elas e não vai encontrar essa visão. Segundo os espíritos realmente superiores, a mediunidade é uma ferramenta a mais para o progresso do homem, um meio de crescemos espiritualmente e ajudar outros a crescerem também. Embora o médium não seja um ser privilegiado, também não é um devedor impenitente. Como médium, sinto a alegria de poder estar em contato e aprendendo com os bons espíritos. A mediunidade quando utilizada com bom senso é fonte de sabedoria, lucidez e saúde. Todos nós somos médiuns em menor ou maior grau, não é privilégio de espírito evoluído, muito menos de espírito inferior, é uma coisa natural, que faz parte do ser humano.
R.M:  Como um médium sabe se está vivendo um problema obsessivo ou perseguição de maus espíritos?
Pelo que ele sente. Se o médium passa a sentir-se triste, angustiado, depressivo, irritado, com pensamentos estranhos e atitudes diferentes das suas no dia a dia sem nenhuma causa que justifique, deve ficar atento, pois pode ser um envolvimento de espíritos perturbadores. Contudo, nem sempre a atuação desses espíritos se faz sentir dessa maneira, na maioria das vezes eles atuam de maneira sutil na mente do médium, isolam suas energias para que ele não se sinta mal, e começam a semear idéias a principio não levadas a sério, mas que se avolumam com o tempo interferindo na vida do médium, fazendo-o mudar de rumo. Assim sendo, vemos médiuns entrar aos poucos e sem que se dêem conta nos caminhos dos vícios, da hipocrisia, da vaidade, do afastamento dos trabalhos espirituais, dentre outras coisas. Tudo o que não é bom e faz sofrer vem de uma causa igualmente não boa. Claro que nem todos os problemas de nossas vidas são causados pelos espíritos e mesmo quando são eles os causadores nunca devemos esquecer que somos nós que lhes demos abertura.

R.M:  Qual o conselho que você daria a alguém que está começando nos caminhos mediúnicos e gosta de escrever?

Todo médium iniciante precisa estudar O Livro dos Médiuns, de preferência num Centro Espírita com pessoas capacitadas e competentes para os orientar e tirar suas dúvidas. O Centro Espírita Kardecista é o único lugar onde se estuda o fenômeno da mediunidade com profundidade e seriedade, tanto na parte teórica quanto na parte prática onde o médium é levado a conhecer melhor sua faculdade. Quanto a quem gosta de escrever é preciso ter muita persistência, paciência, vontade e disciplina interior. Existem muitos espíritos querendo escrever para a Terra contando suas histórias, mas se os médiuns não forem perseverantes não conseguirão ir muito além. A psicografia exige que o médium estude muito e se discipline. O meu caso é diferente, mas em geral é necessário ter dias e horários fixos para esse trabalho em que o médium não deve faltar sob nenhuma hipótese, a não ser que esteja doente ou com uma impossibilidade muito grande. Psicografar romances não é uma tarefa fácil porque, além de estar conectado com a bem, a médium precisa de paciência e constância no que faz. Lembro aqui o exemplo da médium Zibia Gasparetto que levou cinco anos para psicografar seu primeiro romance O Amor Venceu. Se ela não tivesse tido paciência certamente não teríamos nem esse nem todos os belos livros que ela escreveu e escreve.

R.M: Qual a mensagem que você daria para nossos internautas, principalmente aqueles que estão deprimidos ou sofrem por amor?

Que procurem amar de verdade, pois o amor verdadeiro nunca traz sofrimento, ao contrário, é o amor a única força capaz de harmonizar as relações humanas, tornando-nos melhores. As pessoas dizem que amam e eu não duvido, mas tenho certeza que, se estão sofrendo é porque ainda não aprenderam a amar em plenitude. Quem ama precisa aprender a respeitar o ser amado e deixá-lo livre para que possa viver suas experiências, eu aprendi isso e sou muito feliz. Quanto à depressão a única forma de curá-la é fazer o que a alma pede. A depressão é o grito da alma sufocada, inibida, esquecida em seus desejos mais íntimos. Quem não procura se realizar aceitando o que sua natureza quer, respeitando os próprios limites, vivendo a vida que realmente quer para si, fatalmente entrará em depressão. O psiquiatra, os remédios, o psicólogo ajuda, mas só a libertação total da alma é que cura em definitivo.

Relax Mental agradece a presença do escritor e médium Maurício de Castro.


Sandra Cecília

 

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